Azeite, só se for português.
14/03/2008 · Imprima este artigo
Essa crônica não tem nada a ver com gastronomia, mas sobre um assunto indigesto e que está entalado na garganta dos brasileiros. O embargo espanhol.
Há algumas semanas a Espanha começou a barrar e mandar de volta brasileiros que chegavam aos aeroportos espanhóis. O correto é que ninguém sabe ao certo o motivo desse bloqueio. O governo de lá fala em bloqueio aos “maus cidadãos do mundo, com ênfase do Brasil”, que tentam entrar em seu país atrás de melhores condições de vida. Ok, eu não desacredito em todo desta versão, porque não da para se fazer de inocente e falar que isso não acontece, e muito. Mas, impor quantias de valores, mandar de volta mais de 200 pessoas em menos de duas semanas e impedir uma brasileira de ver seu marido, espanhol, já é um pouco demais.
Apoio o governo brasileiro em sua grande retaliação, sete espanhóis em uma única semana, no mínimo louvável. Acho que deveríamos aumentar o grau de exigência para a entrada em nosso país. Se pegarmos só os estrangeiros, de meia idade, que vem aqui fazer turismo sexual, a média de deportação vai subir para 200 por semana. Não que o governo espanhol tenha a ver com isso, pois, somos nós brasileiros que dissemos para nossas garotas de 13 anos que já é hora de brincar com outra boneca.O que me assusta mais é que a Espanha está se tornando um dos maiores investidores no Brasil, com números bastante crescentes. É como um país demonstra para o outro que em nossa terra tudo dá, e com muito lucro, mas que seus frutos não podem pisar lá. Não faz muito sentido. Para mim a mensagem clara que a Espanha está passando é simples: brasucas, vocês são ótimos para limpar chão, cozinhar, lavar, passar, servir nossos aposentados entediados, fazer caipirinhas, sambar, sorrir e gostar disso tudo sem ganhar muito. Mas, vir aqui visitar nosso país, sem uma bufunfa no bolso e passagem de volta comprada já é demais.
Pois bem, se é assim eu vou fazer a minha parte. Vou voltar ao meu tempo de segundo grau e fazer meus embargos. E, de hoje em diante, azeite, só português.











Muito boa, de novo. O título é impagável.
Esta se superando…
Muito legal!!
Você tem muita criatividade, parabéns.
Tá de parabéns! Gostei da sua colocação….
Agora só uma pergunta:
Sua fonte de inspiração vem da comida? Pq 1° kinderovo e agora azeite!
hehehe
Bjus
Pois é Martini… eu tenho uma perspectiva um tanto sentimental sobre essa questão. Apoio uma resposta na mesma proporção afinal, sou brasileiro.
Porém, por ter um sobrenome espanhol, avós espanhóis e parentes na Espanha, fico especialmente triste em ver esses dois países que amo num desentendimento diplomático. Principalmente porque os poucos espanhóis a que conheço não estão muito a par dos acontecimentos, por isso é difícil generalizar quando falamos de população X população (empresários, oportunistas e políticos estão em outra esfera).
Mas temos que lembrar que não é só a Espanha que, infelizmente, tem tornado a vida internacional do brasileiro mais difícil, como “terceiro-mundistas”, não somos bem vindos nos Estados Unidos, França, Japão e outros ditos desenvolvidos. Amigos me falaram de péssimo tratamento recebido na Itália simplesmente por ser brasileiro.
Da mesma maneira que o brasileiro, inegavelmente subjuga bolivianos, paraguaios e outros hermanos, vizinhos pouca coisa mais pobre que nós que buscam dignidade em terras tupiniquins (pelo menos vejo isso acontecer com freqüência aqui em SP). Mesmo os brasileiros do norte sofrem por essas terras pela condição humilde.
Não estou tentando defender a Espanha, pelo contrário, o respeito (ou falta dele) deve ser recíproco. Mas a Espanha é o lado apenas mais evidente de uma realidade não muito confortável para o brasileiro, que pelos motivos por você expostos, enfrenta resistência e preconceito.
Em tempo, na última semana saiu o resultado de uma pesquisa em Portugal, que diz que a imagem pública do brasileiro na Europa é:
Homem = malandro
Mulher = puta
O que fazer? Vamos continuar vendendo nossa imagem funk carioca + povo caliente + carnaval bunda + rede globo + (revoltado) etc etc etc
Grande Abraço.
Denis, concordo com você sobre a imagem que passam e que a gente passa para o resto do mundo. Eu também tenho sangue espanhol em minhas veias, mas não por isso poderia deixar de alfinetar o que está acontecendo. O problema está nas relações, brasileiro é expulso lá e o comentário mundial é: ta certo, tira esses imigrantes que vêm tirar nossos empregos. Aí, um espanhol, italiano e similares são deportados por prostituição infantil e o comentário é: nossa esses brasileiros são loucos, o que tem para fazer lá se não prostituição, desse jeito ninguém mais vai querer ir para lá.
Saca, acho que é no bateu, levou. Só temos que devolver na mesma moeda.
Mas entendo seu lado e obrigado pela observação.
Concordo piamente com a revolta de Martini. Esse negócio de tentar “limpar a barra” dos espanhóis só para ‘boa manutenção dos laços familiares’ não tem nada a ver. Desde o “descobrimento” deste país somos explorados e coisificados e sempre dizemos amém para todos os atos europeus e estadunidenses. Fomos sempre a ‘raça impura’ do mundo que sempre lambe o chão para o turista passar!
Conheço, pela internet, pessoas de outros países que acham que o Brasil ainda se resume em São Paulo e Rio de Janeiro (putz!), assim como também, em bate-papo com alguns destes pude perceber a real intenção de suas conversas comigo (estavam em busca daquilo que toda mulher brasileira mostra lá fora).
A culpa também é nossa. Fomos sempre submissos, o bom bobo da côrte que traz alegria ao palácio! Mas essa foi a condição proposta para que fôssemos, pelo menos um pouco, considerados lá fora (teoricamente). Afinal de contas, tudo tem um preço, não é?