Banda Redonda abre o carnaval de rua de 2010 no centro de São Paulo

“Nossa gente é essa aí: jornalistas, boêmios, artistas de teatro, cinema, televisão sambistas, pintores, gente da noite e do dia, da madrugada e de todas as horas, enfim, gente que cultua a nossa cultura popular”.
A mais antiga e tradicional banda carnavalesca da cidade de São Paulo, Banda Redonda, pede passagem e coloca os foliões e sambistas na rua no próximo dia 8 de fevereiro, a concentração acontece a partir das 18h em frente ao Teatro de Arena Eugênio Kusnet.
Todos os anos a Banda homenageia personalidades destacadas no meio Cultural e Artístico, já receberam o troféu Banda Redonda: Etty Fraser, Sérgio Mamberti, Walderez de Barros, Chico de Assis, Emilio Fontana, Drauzio Varella, Esthér Góes, José Renato, Regina Braga, Renato Consorte, Paulo Goulart, Analy Alvarez, João Acaiabe, Maria Alcina, João Batista de Andrade, Alaíde Costa, Chico Pinheiro, Denis Derkian, Raimundo de Souza, Tadeu di Pietro, Caio Luiz de Carvalho, Milton Parron, Oswaldo Mendes entre outros.
Neste ano os homenageados com “Troféu Banda Redonda 2010” serão: Ari Toledo (humorista e cantor), Caco Velho (Grande sambista dos anos 40, 50 e 60), Dr. Davi Serson (Diretor do Hospital Sorocabano e UNIMED), Doutor Sócrates (grande jogador do Corinthians), Dr. Ivan Giannini (Diretor do SESC), Ligia Cortez (Atriz e diretora de Teatro), Netinho de Paula (Cantor e apresentador de TV). O Sport Clube Corinthians Paulista será homenageado pelo seu centenário e o diretor de Futebol Mario Gobbi receberá o troféu representando o Clube. Também estaremos lembrando o centenário de nascimento de Adoniran Barbosa, de Patrícia Galvão, a Pagu e do acontecimento da Revolta da Chibata, que teve como líder o Almirante Negro, João Cândido.
Vários artistas e convidados vão abrilhantar o desfile: João Acaiabe, Emilio Fontana, Cris Fontana, Gesio Amadeu, Graça Berman, Marli Marley, Esther Góes, José Martti, Humberto Magnani, Chico de Assis, Fernanda Muniz, Osvaldo Mendes, Regina Braga, Dr. Dráuzio Varella, César Vieira, Analy Alvarez, Moises da Rocha (O samba Pede Passagem), o jornalista Chico Pinheiro, Dr. Caio Luiz de Carvalho (Presidente da SPTuris), Dr. Demétrio e Dr. Carneiro (SPTuris).
Dia 08 de fevereiro, às 18h – Concentração na frente do Teatro de Arena Eugênio Kusnet (Rua Teodoro Baima, 94).
Percurso: saindo do teatro de Arena, às 20h30, o desfile percorre a Rua da Consolação, seguindo pela  Xavier de Toledo, passando pelo Teatro Municipal,  Rua Cons. Crispiniano, Av. São João,  Ipiranga, Praça da República, cruzando a Av. São Luís, voltando ao ponto de partida em frente do Teatro de Arena, encerrando o desfile com algumas músicas do verdadeiro carnaval de rua.
Informações: Teatro de Arena Tel. 3256 9463  / Carlão Tel. 2226 0651 / China Tel. 7880 0278
HISTÓRICO - A Redonda nasceu com o nome de Bandalha,  criada no auge da repressão militar pelo dramaturgo e ator Plínio Marcos em 1972. Plínio gravava a novela Bandeira Dois, no Rio de Janeiro e não aguentava mais as piadas e provocações dos cariocas, dizendo que: bloco de paulista é bloco de concreto armado, que cordão de paulista é cordão de isolamento; e, como se tudo isso, ainda, não bastasse, atormentavam, nosso tão amado Plínio Marcos, citando Vinicius de Moraes “São Paulo é o túmulo do samba”. Àquela altura a Banda de Ipanema já era famosa, trazendo como musas Leila Diniz e Odete Lara. Injuriado com tantas brincadeiras, Plínio chamou seu colega de teatro, Carlos Costa, o Carlão, que já era frequentador do mundo do samba paulista, mas ganhava a vida no teatro, Carlão foi bilheteiro, contra-regra e ator, atuou no teatro de Arena e também no cinema. Então, Plínio Marcos se autoproclamou presidente da Banda Bandalha e convidou para a vice-presidência o Carlão.
Em 1972 e 1973, a banda sempre saindo da frente do Teatro de Arena e percorrendo o centro, foi sucesso de cara, tendo no primeiro dsfile como Porta Estandarte a atriz Etty Frazer e mestre sala o ator Toni Ramos, também contou com ilustres participantes, como a atriz Walderez de Barros, o dramaturgo Gianfrancesco Guarnieri, o ator John Herbert, Pepita e Lolita Rodrigues, os jornalistas Arley Pereira, José Ramos Tinhorão, o ator e artísta plástico Luiz Carlos Parreira, além da turma da “Vagão” e redondeza, entre tantos outros atores, jornalistas e foliões. A Bandalha durou dois anos, depois de brigas com a prefeitura, Plínio se injuriou e falou que não tinha mais Bandalha, mas seus remanescentes, encabeçados por Carlão, formaram a Banda Redonda, que desfilou pela primeira vez em 74, naquela ocasião mudou a colocação da diretoria, ficando Carlos Costa na presidência e Plínio como vice, hoje Carlão continua dirigindo a “Redonda e tem o China como vice-presidente. Com a inspiração do Artista plástico Luis Carlos Parreira a “Redonda” adotou a pomba como símbolo e as cores azul, ouro e branco. Atualmente, os desfiles da banda são acompanhados por cerca de 18 mil pessoas e já faz parte do calendário oficial do carnaval de São Paulo. Além disso, ela é filiada à ABASP -  Associação de Bandas de Carnaval de São Paulo. Para animar os foliões a banda conta com um belo time de intérpretes: Aldo Bueno, Germano Mathias, Jandir, João Borba, João Pedro e Silvio Modesto, acompanhados pela Banda Musical do Fumaça.
Carlão, o Carlos Costa, Carlão da Vila, Carlão do Boné, quando assumiu a banda em 1974, transformou-se no “General da Banda” de São Paulo (lembrando Black-Out, o “General da Banda” no Brasil): diz um dos foliões: quando o Carlão chega as pessoas cantam... “Chegou o General da Banda...” Sobre o novo nome da banda: Redonda, Carlão conta um pouco da história: “A gente frequentava um bar chamado Redondo. Tinha uma gíria na época que dizia que as pessoas inteligentes tinham a testa redonda. Daí, a partir de algumas sugestões: ARENA, pelo teatro (ora veja, naquela época, o partido da ditadura tinha a sigla de ARENA), Carlos Gomes, Roosevelt (nome de gringo não), Consolação e Vila Buarque, (não são nomes para uma banda). Prevaleceu a idéia da cabeça inteligente: Redonda, ainda sugeriram Redondo, para obter algum patrocínio do dono do bar, mas alguém lembrou: “o portuga sequer pindurava uma cerveja”. Daí ficou simplesmente Redonda mesmo, pela idéia do Parreira, ainda hoje há quem confunda o nome da banda com o nome do bar.
Sobre Carlos Costa, O General da Banda Redonda, chegou em São Paulo em 1947,  aprendeu a história do samba paulista, curtiu e viveu o samba em sua forma mais autêntica. Nestes 32 anos da banda a maior satisfação de Carlão é oferecer a oportunidade para todas as classes e camadas da população curtir o autêntico carnaval,  sem qualquer custo, colocando lado a lado todas as diferenças, equacionadas no mais simples momento de alegria.
“A banda Redonda surgiu na época da repressão da Ditadura militar teve como objetivo trazer para a rua os executivos dos escritórios do centrão da capital paulista para brincar o carnaval com o povo na rua com ou sem fantasia, com ou sem dinheiro”. Afirma Carlos Costa, segundo a grande imprensa e os foliões: “o famoso general da banda”.

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