Cinco segundos
3/07/2009 · Imprima este artigo
Todo o cenário estava pronto, despediu-se dos poucos amigos, alimentou os peixes do aquário , desligou a televisão, fez uma breve ligação para sua namorada dizendo o quanto a amava, olhou novamente no espelho e …… pensou e resolveu escrever uma carta segundos antes de tentar contra sua própria vida, retirou a cadeira de lugar e a aproximou da guarda-roupa desmanchando o seu cenário.
Subiu vagamente sobre a cadeira, abriu o baú na parte superior da guarda-roupa e começou a procurar uma caderno com folhas em branco para anotar suas últimas palavras, ao remexer em suas coisas e documentos antigos , achou seu primeiro boletim com as notas da primeira série, no mesmo instante foi transportado aquela antiga sala de aula, olhou atentamente ao seu redor avistou a professora Lúcia, o Carlinhos seu companheiro de futebol, que não viam a hora do recreio para suar a roupa do colégio estadual na quadra ensolarada.
Antes que as lembranças desse tempo lhe envolvesse, jogou de lado o velho boletim de ótimas notas e voltou a procurar o caderno com folham em branco, pois estava decidido, remexeu novamente o velho baú e caiu sobre sua mão uma antiga fotografia com toda família reunida no natal meses antes do falecimento de sua avó paterna e os pensamentos nostálgicos invadem sua mente, mas recompõe novamente e determinado procura um caderno com folhas em branco para escrever suas últimas palavras, revira mais uma vez esse velho baú e encontra um recorte antigo de uma revista semanal, era um anúncio da brinquedos estrelas, seu sonho foi sempre ganhar um autorama com controle remoto, mas o o mais próximo que chegou disso, foi com caixinha de cigarro Free, Malboro e Carlton, que em suas mãos se transformavam em carrinhos de formula 1 correndo em sua pista imaginária, um sorriso estampou seu rosto nesse momento ao se pegar balbuciando com a boca o zunidos dos carros que faziam outrora, mas antes de se recompor novamente, seus pés desequilibraram sobre a cadeira caindo no chão acapertado do seu quarto, acordou minutos depois com o barulho do telefone, apenas ouviu o recado de sua namorada na caixa postal, tomou um banho, foi para o centro da cidade fazer uma tatoo da Fênix em seu braço esquerdo e não quis mais saber de atentar contra a própria vida!
Metaforicamente foi como se pulasse de um despenhadeiro e esperasse até o ultimo segundo para abrir o pára-quedas, a queda foi amortecida, mais deixou grandes marcas!




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