Cinema Vivo em São Paulo
2/06/2009 · Imprima este artigo
Ao mesmo tempo que o filme era feito, o público assistiu em uma sala de cinema. Sim isso é Cinema Vivo – ou CINEVIVO, mas quem vê o filme não imagina como ele é produzido ou o ritmo alucinado que o envolve. Mas calma: este artigo pretende desvendar este audacioso projeto que já está em andamento no Centro Cultural São Paulo (o Vergueiro).
CineVivo foi uma experiência múltipla, em que aspectos televisivos, cinematográficos e teatrais se encontram. Mas é importante distinguir Cinema Vivo de Cinema Ao Vivo. Este foi um projeto idealizado para o Festival do Rio, em 2007, quando VJs, videoartistas e cineastas se reuniram no palco do Odeon, para um remix experimental de imagens e sons.
O responsável pelo acontecimento no Centro Cultural São Paulo foi Alexandre Carvalho, criador do gênero formado em cinema pela USP e cursando mestrado em Interatividade. Suas influências dentro do cinema estão no dinamarquês Lars Von Trier (por conta de suas experiências com a linguagem cinematográfica), Pedro Almodóvar, Fernando Meirelles e Chico Teixeira.
Para o Cinevivo – mais especificamente o longa Fluidos, primeiro de Alexandre, a estética não conta com direção de arte, além de utilizar pouca iluminação artificial. O diretor, entretanto, faz a ressalva de que “poderia fazer um formato do CineVivo montado em um set de filmagem”, o que não é a proposta de Fluidos.
Apesar de toda essa aproximação com a realidade proposta pelo CineVivo, quase tomando um aspecto naturalista, o filme vai contar com trilha sonora diegética (dentro do contexto ficcional). “A trilha vai ser uma que poderia existir no próprio lugar. Por exemplo, a música estar tocando no bar. Isso serve até para não quebrar o aspecto cotidiano”. O conteúdo vai ser essencialmente instrumental e as músicas surgirão em poucos lugares.
Quanto aos aspectos técnicos, serão utilizadas três câmeras e a transmissão será feita por meio de cabos e por ar (método usado pela televisão em programações ao vivo).
Alexandre e sua equipe estão há seis meses pesquisando os melhores métodos. A Internet 3G já foi cogitada, mas, como apontou o diretor: “O problema é tanto estrutural quanto financeiro”. Ele acredita que o conflito nem esteja tão relacionado ao financiamento, mas à própria insuficiência da tecnologia disponível no Brasil.
Houveram também cenas gravadas previamente, as quais fizeram parte da narrativa. Os personagens se contextualizaram em outros cenários, como num quarto. Estas são partes essenciais quanto à temática do filme.
Fluidos foi apresentado nos dias 24 e 30 deste mês no Centro Cultural São Paulo, às 14 horas do jeito que deve ser concebido: ao vivo em 70min.
Na trama, o cotidiano do entorno do Centro Cultural a partir da história de três relacionamentos que têm em comum a dependência pela imagem sintética e a instabilidade de um presente fugaz. Um casal torna-se escravo de seus próprios fetiches, uma mulher encontra o marido apenas pela internet e um garoto expõe sua vida num programa de televisão sensacionalista. A proposta do Cinema Vivo é a da estrutura exposta, cinema explícito. Primeira experiência cinematográfica no formato Cinema Vivo.
[youtube]U4KxOKr5bPs[/youtube]




Comentários
Tem algo a dizer?