Contos Eróticos…

16/02/2009 · Imprima este artigo

Contos eróticos, safadezas, traições, mulheres fáceis, maridos cornos… Nada me dava mais tesão na adolescência do que ler contos eróticos. Nada. Chegou um momento na minha adolescência que ver mulheres peladas estava banal, as fotos da Playboy já não surtia o mesmo efeito, então migrei para a Revista Sexy, com fotos mais pesadas, mas escancaradas e, por um tempo, foi tudo muito bem.

Mas chegou um momento que aquilo, pra mim, já não tinha mais o mesmo efeito novamente, conforme o tempo passa, nos acostumamos, banalizamos e queremos emoções mais fortes. Foi aí que resolvi, pela primeira vez na minha vida, folhear uma revista erótica… eis que encontro os benditos contos eróticos.

No início fiquei com certa preguiça de ler aqueles textos enormes, mas quando comecei, aquela safadeza toda, geralmente narrada por mulheres, quebrou toda a imagem que minha doce cabecinha inocente fazia do comportamento do sexo feminino. Acredite, até um certo período da minha adolescência, eu ficava me perguntando se as moças que posavam nessas revistas ainda eram virgens. Ler relatos de putaria explícita me fez entrar em choque ao mesmo tempo que um tesão incontrolável tomou conta de mim. O resultado, claro, foram inúmeras bananas descascadas.

Até que um dia conheci um escritor. Nada glamoroso, um cara barrigudo que sempre estava suado e com a barba por fazer. Trabalhamos juntos um tempo e fiquei sabendo que um dos trabalhos dele era escrever… contos eróticos.

Um certo nojo tomou conta de mim ao imaginar que aquelas historinhas que me deixavam maluco poderiam ter sido escrita não por esposas fogosas, mas por um cara como ele.
Mas quantos “contos eróticos” não compramos durante nossa vida? Quantos gatos por lebre? Aí que entra o efeito placebo que nos acompanha em nossas vidas. O importante naquele momento de adolescência não era quem escreveu, mas a história em si, a descoberta da sexualidade e do jogo social que há ali embutido.

No fim, o placebo que me tomou na adolescência através desses contos não é muito diferente do placebo gerado pelo photoshop das revistas de hoje.

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