Curte um Beck?
20/02/2008 · Imprima este artigo
Quando eu tinha uns 14 anos, estava indo para um bar chamado “Bote do Coyote”, onde se apresentavam algumas bandas locais nos idos de 1994/95, até a prefeitura interditar o local por causa do barulho.
Naquela época pós suicídio de Kurt Cobain, a mídia especulava o que seria da música, sempre anunciando bandas que seriam o “próximo Nirvana”… as pessoas acreditavam no rock, mas logo veio o movimento eletrônico com uma força surpreendente e o rock foi lançado num canto esquecido, restrito aos órfãos e viúvas de Kurt (em sua maioria) ou fãs de rocks clássicos. Repetindo um ciclo no karma do estilo.

As informações e possibilidades que a eletrônica trazia fez com que algumas mentes trabalhassem em busca de algo novo. A internet que engatinhava, a promessa da globalização, o sucesso do plano real, a popularização do celular, a proximidade do fim do milênio… naquele tempo as perspectivas eram interessantes para um mundo que parecia não ter muitas preocupações. Dançar era permitido.
O eletrônico deu as mãos para um rock não tão xiita. Moderninhos undergrounds era como chamávamos aquela trupe que surgia. O pensamente que rolou nesse período de transição foi mais ou menos assim:
“O que seriam eles? Descolados demais para serem chamados de nerds; nerds demais para serem chamados de subversivos. Eles gostam do funk de James Brown, mas também ouvem Revolver dos Beatles, isso seria bem retrô se não escutassem música eletrônica também, tudo misturado… o que sai daí? Quem são esses artistas que não tocam na rádio? Beck? Björk (como se pronuncia isso?) mais tarde Cat Power… o que houve com o Radiohead em 1997? O Computer? Esse disco é triste, atmosférico, estranho e sedutor… o que sou agora?”
Voltando ao primeiro parágrafo…
Gostei do Beck e ele me levou ao outro beck, indo para o Bote do Coyote. Eu tocava violão nas madrugadas da rua naqueles tempo e isso atraia os loucos em busca de bebida e diversão. Uma dessas noites eu estava tocando violão quando um cara perguntou: Curte beck? Eu disse que sim e ele ascendeu um. Não era bem o Beck que eu me referia, mas acabei aceitando também.
Veja o vídeo de Beck: Devil’s Haircut
Beck conseguiu orquestrar um trabalho coeso, consistente e espontâneo, onde numa mesma canção podem ser encontrados elementos de rock, de hip-hop, psicodelia, folk e country misturados a uma sonoridade ao mesmo tempo bem trabalhada e rica em detalhes, porém dura e suja, como o rock alternativo de então…











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