Diário de um mesário
6/10/2008 · Imprima este artigo
Trabalho na eleições como mesário. Eu e mais quase dois milhões de brasileiros tornamos viáveis e fazemos parte deste momento histórico na democracia brasileira… pelo menos isso é o que diz a propaganda do maravilhoso mundo da Justiça Eleitoral, na realidade a coisa é um pouquinho diferente.
Não quero nem entrar no mérito da falsa democracia ou a maturidade do brasileiro médio, o fato é que sou obrigado a fornecer um dia da minha vida (na verdade já foram 8 dias) para o momento da grande chance que temos de virar o jogo e acabar com a palhaçada, expor nosso inconformismo e realmente transformar nosso pais com a nossa maior e talvez única arma eficiente: o voto.
Mas logo um dia antes da eleição começa minha decepção. Juro, caro leitor, que sou um cretino esperançoso. Penso que não tão ruim estar coletando títulos de eleitores que estão empenhados na mudança da situação, mas a hipocrisia me esbofeteia na cara, trazendo-me de volta a uma realidade suja e egoísta quando, dirigindo pela noite anterior ao “grande dia”, vejo carros de campanha jogando toneladas de lixo eleitoral nas ruas, em frente às escolas. Segui um desses carros para me certificar de que ele estava realmente fazendo aquela sujeira toda de propósito, mas sim… ele estava jogando milhares de “santinhos” nas ruas, papeizinhos que tem a função de pescar os indecisos que caminham em direção a urna. O pior de tudo isso é que da certo.
No dia da eleição, lá estou eu. Mesário. Bem disposto e educado, desejando bom dia e bom voto. Incrivelmente algumas pessoas estão tão mal humoradas em ser obrigado a votar que só faltam me xingar. Estes sim deveriam ser convocados pela pátria a trabalhar como mesários.
Hoje acordo com a notícia de que 50% das mesmas pessoas foram reeleitas. Os mesmos vereadores acusados em envolvimento com traficantes, escândalos, desvios, corrupção… Perdi mais um dia da minha vida para você, que não pensou. Achou mais fácil pegar um papelzinho no chão com um número, não quis discutir ou expor seu pensamento por vergonha ou preguiça. Perdi mais um dia da minha vida para todas aquelas promessas que não serão cumpridas.
Pois é… nós, mesários, fazemos parte desse momento histórico. Estamos nos bastidores, invisíveis nesse grande circo, junto com todos os outros brasileiros que só são lembrados nesta hora de conseguir votos, nesse momento de corpo a corpo.
Espero, sinceramente que eu esteja errado. Mas no momento sou um mesário decepcionado e recolho-me a minha insignificância… até o segundo turno.










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