Do efeito Mamonas Assassinas ao efeito colateral

26/06/2007 · Imprima este artigo



Divagação livre: Já ouviu a música American Pie de Don McLean?

Ela fala sobre o sentimento e os conflitos de um jovem no dia da morte da música.

Essa alusão feita em American Pie, rock dos bão que foi regravado (estragado?) recentemente pela cantora Madonna, diz respeito ao acidente aéreo que matou Richie (La Bamba) Valens junto com Buddy Holly e Big Bopper em 1959.

Valens estava em ascendência na cena Rockabilly, estourou e morreu quando o avião caiu. Essa história te lembra alguma coisa?

Sim, foi exatamente o que aconteceu com os Mamonas Assassinas. Uma carreira meteórica, comparavel ao trajeto de uma estrela cadente.

Fica a questão: como eles estariam hoje se não tivessem partido? A morte os tornou mitos imediatos. Heróis. Eles não tiveram tempo de errar. Até hoje, a procura sobre fotos dos Mamonas Assassinas ainda é enorme no Google.

Em outra perspectiva, os fenômenos mitificados pelo fim bruto poderiam ter continuado a vida e a carreira até o ponto da humanização evidente. Talvez Che Guevarra tivesse se tornado um Fidel Castro se ainda estivesse vivo, assim como Fidel poderia ter se tornado o mito caso a morte o tivesse agarrado.

Lula poderia ser o Grande Herói Martirizado do Brasil, caso morto durante a ditadura e jamais chegado a presidência. Os Stones tinham uma chance de ser a maior banda de todos os tempos caso tivessem encerrado as atividades em 1970.

Sim, a morte mitifica, mas para os que ficam, o caso não está em encerrar, mas transformar, não ter medor de encarar novas estradas e, por que não, quebrar a cara de vez enquando. Já ouviu a história de que é preciso destruir para reconstruir? Esse é o caminho.

Escrevo isso por que, como qualquer ser humano, tenho medo do desconhecido. Medo quando perco o controle da vida, que me leva por caminhos ignotos. Medo das perguntas da minha filha, medo de não vencer, de não ser suficiente.

Esse é um outro efeito - dessa vez, colateral - do chamado progresso de nosso mundo contemporâneo: a ansiedade.

Como li na Revista Trip uma vez, não morreremos de fome, vítimas da violência, torrados pelo sol ou por vírus indestrutíveis. Morreremos pela ansiedade causada por não alcançarmos os objetivos; de não casarmos com a modelo do anúncio de televisão; por não comprarmos o carro do ano; por não estudarmos “naquela” universidade ou alcançarmos “aquela” posição. Morreremos secos pelo medo do monstro da história criada por nós mesmos.

Esta na hora de enfrentar esse medo e mudar - o quanto antes - antes de nos tornarmos candidatos a mitos.

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