É defunto ou santo?
24/06/2008 · Imprima este artigo
Olha, só. Nesta crônica eu vou tratar um assunto que para você talvez seja delicado. Por exemplo, se você perdeu um parente ou amigo, ha pouco tempo, pode ficar sensibilizado. Mas, se alguém que você conhecia faleceu há um pouco mais de tempo e ele era um mala, vale a pena ler.
Você lembra da última celebridade/político/grande empresário que morreu? Tipo um Roberto Marinho. Pois é, lembra também dos depoimentos e discursos na mídia? Eles eram mais ou menos assim: morreu hoje um grande homem, um ícone de lealdade, dignidade. Um homem cuja razão de viver foi o entretenimento, levar felicidade a todos os lares brasileiros. Um verdadeiro exemplo de pai, amigo, mentor. Com certeza o mundo perde com a falta deste gênio generoso (essa foi só para rimar), mas os passos deixados por ele será seguido por gerações.
Tudo bem que se fosse uma modelo, ou jogador de futebol o discurso seria menor, a final qual a grande contribuição deles para o mundo? Mostrar um vestido novo? Errar um gol na final?Mas, seguindo com este pensamento, vamos trazer a nossa realidade. Você, por acaso, não tem um primo, ou aquele tio, que é um mala sem alça? Um pé no saco? Um enganador, traiu a mulher, engravidou quatro, tirou dinheiro do leite das crianças para gastar na sinuca? Ah, qual é, todo mundo conhece uma pessoa assim, não fica protegendo não. Ele nem vai saber que você concordou com o que eu escrevi.
Pois é, todo mundo conhece alguém assim. E com certeza você já falou ou ouviu. O dia que aquele ali morrer vai ser um alívio, uma benção, não vale nem o dinheiro do enterro, mas, na hora de colocar na vala não é bem assim.
Quem trabalhou a vida inteira, justo, honesto, chegava no trabalho, sempre no horário, fiel, dedicado vira defunto mesmo. Até o discurso, no funeral, muda, fica mais água com açúcar. É um vai deixar saudades aqui, era um bom homem ali, outro que pena para lá. Mas, ninguém fica santificando o exumado. Mas quando um filho duma !@#* morre aí o papo é outro. Sempre tem a tia que não se conforma, que ainda lembra do menino colocando latinha no rabo do gato. Um amigo que sentirá falta das conversas profundas no barzão do Zé, a mãe que acha que perdeu o seu anjinho. “Era um menino tão bom, não sei como alguém teve coragem de fazer algum mal para ele”.
Por isso que eu digo. Vaso ruim quando morre não vira defunto, vira santo.











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