Ecos do Silêncio - Parte I

14/03/2008 · Imprima este artigo

Davi Sant Anna, em outros tempos, seria considerado um subversivo. No sábado último, em sua casa no leste da cidade de São Paulo, eu e Vini Atalaia acompanhamos a edição de Ecos do Silêncio, dando palpites e assistindo, em primeira mão as imagens que depois me deixaram down, em uma espécie de luto sobre a morte de mim mesmo, luto sobre a morte do senso crítico, vítima de algum lugar dos anos 60.O vídeo não possui uma produção hollywoodiana, tão pouco um roteiro linear e esse foi um dos aspectos que levaram o Bravus a investir nessa idéia. No melhor estilo independente “faça você mesmo” - com recursos caseiros, câmeras fotográficas digitais para capturar as imagens e pouco conhecimento estético - o vídeo mostra aquilo que há de mais importante e difícil de produzir em um documentário contemporâneo: sinceridade e denuncia.

Não se preocupe, o vídeo não cai no sensacionalismo barato, pelo contrário… ao adentrar nos corredores do prédio onde muitos foram torturados e mortos, o choque está nas entrelinhas, subliminarmente sugerido ao imaginarmos que o local, ainda hoje, é freqüentado por militares que ali participaram de atos criminais grotescos contra a humanidade e, sem conseguir adentrar no local, permanecem parados a porta, contemplando fantasmas de um passado que no presente constroem um fúnebre cárcere em suas mentes.

Ainda assim, toda a primeira é uma introdução aos ecos presentes ainda nos dias de hoje, quase despercebidos pela maioria, como a sinistra reestruturação de cemitérios que abrigavam “indigentes”.

Na verdade, esse “indigentes” eram, em sua maioria vítimas de uma ditadura assassina que mutilou o Brasil na honra de seus homens e tornou o pais num gigante sem cérebro. Como mostra o filme, Davi e Vinícius estiveram em um desses cemitérios e sentiram a pressão dos “tempos de ditadura” bem viva e presente: Quando questionavam os funcionários sobre a quadra desaparecida, os funcionários se assustavam e diziam que nada sabiam sobre aquilo, “Era como tocar em um assunto proibido, como se fôssemos o próprio demônio buscando por uma alma”.

Sem mais demora, abaixo a primeira parte do documentário , além de uma sinopse escrita pelo próprio diretor Davi Sant Anna.

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