Especial Festival de Teatro - Brava, Ovos e Beatles
28/03/2008 · Imprima este artigo
Acordamos cedo em nosso segundo e praticamente último dia de ações em Curitiba, já que no domingo pretendíamos retornar cedo. Enrolamos um pouco, tomamos um café e fomos para o Memorial de Curitiba, no largo da Ordem. Tudo já estava cheio e tivemos um certo trabalho em conseguir uma mesa. Muitas vezes os próprios atores passavam por nós divulgando seus espetáculos e oferecendo panfletos.

No alto, cena de “Avental Todo Sujo de Ovo”; ao centro, Brava Companhia no Largo da Ordem; no detalhe, escultura de um cavalo marinho que fica no Memorial de Curitiba
Tomávamos um chopp enquanto programávamos nosso dia. Fiquei assim: eu veria Avental todo suja de Ovo no no Teatro ReiKrauss às 15h. Depois voltaria para a Casa Vermelha onde, no Teatro Londrina às 18h aconteceria o espetáculo “Melhor do que Chocolate”, ambos do Fringe. Ainda daria tempo para ver, como bom beatlemaníaco que sou, o espetáculo Beatles num Céu de Diamantes, musical que aconteceria no Onipotente Guairá, único, dos espetáculos que cobrimos, que pertencia a Mostra de Teatro Contemporâneo.
Depois de encontrar e cumprimentar meu antigo professor e jornalista da Folha de São Paulo Valmir Santos, que fazia a cobertura para o caderno Ilustrada da Folha, me dirigi ao Avental Todo Sujo de Ovo, em que havia sido convidado, ainda em São Paulo, pela própria produtora
Avental Todo Sujo de Ovo
O grupo veio de Salvador, enfrentando dificuldades e vencendo obstáculos para apresentar seu espetáculo. Graspa, a produtora e anfitriã é uma pessoa apaixonada, que expõe seus sentimentos e acredita no que faz, acredita em sua arte. Conversar com ela é como dialogar com um rio cuja correnteza tende a te levar para o desconhecido.
A história toca em pontos delicados e polêmicos, nos agride beneficamente a alma como palmadas para educar uma criança,com insinuações sinceras sobre o que somos e principalmente sobre o que pensamos.
Uma mãe chora a partida do filho, por vinte anos ele não da notícias. Subitamente, ele retorna como um travesti e os pais, humildes pessoas que tentam tocar a vida com o que acreditam ser digno, se deparam com um conflito interno entre aceitar o filho diante uma sociedade os recriminaria.
Na perspectiva da trama, somos colocados em cheque mate. Excelente momento do Festival.
Ainda dá tempo de ver:
Última apresentação: 28 de março às 21h – teatro Reikrauss
Preços: 20 e 10 reais
Cooperativa Baiana de Teatro – Grupo de Teatro Bastidores
Texto de Marcos Barbosa, Direção de Fábio Nieto Lopes.
Com Anderson Dy Souza, ChristianeViega, Eva Kowalska e Uno Costa.
Melhor do que Chocolate
Sinceramente esperei mais deste espetáculo. Não gosto muito de fazer críticas negativas, por isso vou passar rápido por aqui. Pela sinopse e pelo local nobre onde esta peça aconteceria, pensei que iria mergulhar num mundo anti mediocridade. Mas o que encontrei foi uma – justiça: bem montada – peça que apresentava quatro garotas entregues ao senso comum. A reflexão e interpretação ficava a cargo do público, que tinha inúmeras possibilidades de escolha. Não chegou a estragar o dia, mas poderia ter sido melhor. Destaque para a saída criativa do final, mas não foi melhor que chocolate.
Beatles num céu de diamantes
Da para imaginar as letras dos Beatles como um roteiro teatral? Sim, da pra imaginar, mas como sou beatlemaníaco, não poderia deixar de conferir esse musical montado por Charles Moeller eCludio Botelho. O único da Mostra de Teatro Contemporâneo que foi coberto pelo Bravus.Net e que aconteceu no pomposo Teatro Guairá.
Compramos os ingressos de um balconista mal humorado e muito pouco educado naquela noite de sábado. Relevamos a apatia do sujeito e nos dirigimos para nossas poltronas, no alto… um dos piores locais do teatro, que já estava lotado.
Mas como se tratava de um musical não me incomodei tanto, um lindo piano de cauda era iluminado por uma luz fraca, pessoas começavam a chegar ocupando as poucas cadeiras que restavam. Minha namorada estava esperando sem muito entusiasmo enquanto eu queria ver logo a apresentação (que demorou bastante para começar).
Enfim as luzes se apagaram e o espetáculo teve início. Do meu lado, um jovem pai estava com seu pequeno filho que deveria ter uns 9 anos no máximo. Achei bonito aquela coisa de pai e filho curtindo um Beatles, mal sabia o que me aguardava.
Iniciado o movimento, os artistas cantavam irritantemente de uma forma perfeita. Interpretavam as canções dando ambiente e contexto, dando vida aos personagens. Mas ainda assim o garoto não parou de falar com o pai, fazendo perguntinhas tolas em voz alta, aquilo começou a me irritar.
Continuando segunda e terceira música, minha atenção na peça era roubada pelas perguntas cada vez mais imbecis do garoto e pela incapacidade de seu pai em educá-lo, pior – O babaca do pai fazia questão de cantar em voz alta cada maldita música dos Beatles, o corno infeliz achava que estava arrasando mostrando pra todo mundo (que tinha pagado R$ 30 para ver atores ensaiados executando as peças) que ele sabia cantar o nananana de Hey Jude e a letra de Let it Be.
Comecei a bufar para ver se o cara se tocava, quando meu rosto atingia uma careta que demonstrava claramente que eu jogaria ele e seu fedelho desprezível pela sacada abaixo, ele parava de cantar e cochichava algo para o filho, em silêncio ficavam por uns 10 minutos e começava tudo de novo. Por isso tenho um recado pra você, babaca: Se estiver lendo este post, saiba que ninguém curtiu sua voz de periquito gripado, vê se da um bom exemplo para seu filho para que ele se torne um cidadão respeitado e respeitador.
Voltando ao espetáculo…
Era possível ver as pessoas (que não tinham um babaca do lado) emocionadas. As execuções não foram surpreendentes… nenhuma revolução sonora, técnica ou criativa que se poderia esperar em algo que leve o selo Beatles. Mas foi muito bom. Minha garota, que nunca havia assistido um musical, saiu emocionada e deslumbrada com tudo aquilo. Realmente o figurino era bom, os efeitos excelentes, a iluminação primordioa, os atores afinados… tudo o que manda o manual… e talvez esse tenha sido o maior problema do espetáculo: a falta de liberdade, um pouco de improvisação e ousadia não faria mal a ninguém, até mesmo um erro seria justificável afinal, o tema aqui é Beatles.
Veredicto final: Bravus recomenda (desde que não haja um babaca por perto)
A Brava - Grande surpresa da noite
Saímos felizes (a não ser por um babaca)… desculpe, não vou mais tocar no assunto desse babaca, mas é que ele me revoltou mesmo.
Bem… saímos felizes do Guairão e estávamos voltando para o Memorial, nosso ponto de encontro, quando vimos uma multidão próxima a fonte no Largo da Ordem, nos aproximamos para ver o que ocorria.
O que estava acontecendo era um espetáculo que fazia parte do Fringe, gratuito e na rua, a paulistana Brava Companhia apresentava a montagem “A Brava”, tragicomédia inspirada na história de Joana d’Arc.
Foi realmente uma agradável surpresa assistir àquele espetáculo ao luar. Com recursos improvisados e um trabalho sério, os bravus garotos entorpeceram a platéia com um enredo extremamente bem humorado, interativo e criativo, intercalando a trágica história da santa que seguia suas vezes com insinuações consumistas, uma banda de rock, tambores, filosofia, ícones da atualidade e referências a canções e a cultura genuinamente brasileiras. O trabalho árduo da trupe foi retribuído com sinceras gargalhadas e reflexões do público que não arredou o pé em instante algum para ver um dos momentos mais geniais do Festival.
Brava Companhia, clique aqui para ver o site.












Uma pequena observação, a escultura do cavalo marinho, fica dentro do Memorial de Curitba e não dentro da Casa Vermelha.
Impedoável equívoco de um forasteiro Ysis, muito obrigado pela sua correção!
Grande abraço!