Especial Festival de Teatro de Curitiba
25/03/2008 · Imprima este artigo
Nessa Páscoa, nossos heróis do Bravus se aventuraram em meio as duas mais importantes maratonas de manifestações cênicas do Brasil em busca do maistream e do underground do teatro nacional: A Fringe e o Festival de Teatro que acontecem, simultaneamente, em Curitiba. Acompanhe a saga de nossos heróis Denis Rodrigues e Vini Atalaia.
Nem só de resenhas viverá este Especial Curitiba, mas também de nossas impressões e presepadas na capital da cultura, afinal entre um espetáculo e outro, muitas coisas aconteceram enquanto estávamos lá e a história começou mais ou menos assim…
…o som estridente do meu celular na madrugada de sexta-feira tornou o meu despertar ainda mais revoltoso. Pensei honestamente em desistir da viagem para Curitiba. O gosto da cerveja da noite passada ainda estava na minha boca e cabeça, dei uma porrada no celular e levantei de uma vez só. Era 4h30, liguei para o pessoal e organizei minha zona: maquina fotográfica, algumas cuecas limpas e um violão, liguei o computador e percebi que o Bravus estava fora do ar, o que estava acontecendo? Nos juntamos e pegamos a estrada, fizemos umas 5 paradas para tentar tomar café, não conseguimos.
Demoramos oito horas para chegar a Curitiba, mas não pareceu nem 4. Curtimos a estrada, a paisagem, os bananais e os montes que surgiam. Casas de madeira, caminhoneiros folgados, buracos e cruzes na beira da estrada. Mas quando avistamos o que acredito ser a represa Capivari, não resistimos a fazer uma traquinagem, invadir propriedade privada e contemplar a maravilhosa paisagem das águas límpidas devorando quilômetros a perder de vista, a primeira grande visão dessa nossa viagem às terras do sul. O que viria pela frente?
Chegando em território paranaense o calor que fazia nossas glândulas sudoríparas apócrinas trabalharem a todo vapor rapidamente deu lugar a chuva refrescante que nos acompanhou nos últimos instantes de estrada. Chegamos e fomos diretamente ao maravilhoso Curitiba Eco Hostel, albergue da juventude que se tornou QG do bravus nos dias curitibanos, nossos outros e mais freqüentes QG’s foram o bar “Sal Grosso” - para as refeições e cervejadas noturnas, onde discutimos os espetáculos recém visitados - e o Espaço Cultural do Largo da Ordem, onde os artistas, diretores e público se encontravam até às 23h, quando o espaço fechava.
O Hostel era muito melhor do que imaginamos, eu visualizei um pulgueiro com uma porrada de maluco em um quarto coletivo sem muita higiene. Mas quando chegamos parecia um pedacinho do paraíso, como um clube ecológico, um grande espaço verde, quartos limpíssimos e aconchegantes, uma piscina que não tivemos tempo de experimentar e um pessoal que tratou muito bem da equipe Bravus, tudo isso por inacreditáveis R$ 25,00 a diária.
Resolvida a hospedagem, fomos nos perder apresentar ao centro de Curitiba. Chegamos totalmente leigos ao festival, já era noite e paramos na praça Tiradentes, em frente a Faculdade Federal do Paraná e o onipotente Teatro Guaíra. Tudo estava vazio e começamos a nos perguntar se estávamos mesmo no meio do Festival ou se atravessamos algum portal que nos levou a um outro tempo ou um universo paralelo talvez. Onde estavam as pessoas? A efervescência cultural? Os artistas alternativos? As multidões enlouquecidas? Como bons paulistanos fomos perguntar ao guarda que estava em um dos clássicos pontos de ônibus de Curitiba, “onde está acontecendo o Festival de Teatro?” perguntamos, ele nos respondeu “em todo lugar”.
Em todo lugar? Em todo lugar? Filho da puta, você é alguma espécie de palhaço? Por acaso estou na pegadinha do malandro?
Não, não foi isso que eu disse ao educado guarda. Sorri e perguntei “não entendi”. Ele me apontou o Guaíra , visivelmente abandonado, quase um prédio fantasma não fosse uma portinha com uma luz acesa que seria a bilheteria. Toupeiras cegas, não vimos os projetores do patrocinador que iluminavam a parte lateral do teatro, entramos e pegamos um jornal com toda a programação do teatro e procuramos um local para ler. Onde estariam os badalados bares de Curitiba? Colocamo-nos a perguntar, diversas indicações foram conferidas e, por nós, desaprovadas, até encontrarmos o Santo Graal dos boêmios curitibanos: O Largo da Ordem.
As luzes alaranjadas dos postes de iluminação refletiam nos paralelepípedos do largo dando a eles a cor da mais bela, pura e dourada cerveja; mesinhas espalhavam-se pelo calçadão dando abrigo a artistas, jornalistas, músicos, atores e staff, que se deliciavam com o refrescante néctar da cevada que agraciava a noite quente. Era o paraíso, era Shangrilaa.
Acomodados e servidos, decidimos quais seriam os espetáculos que nos iniciariam na cidade sagrada das artes cênicas.
Bravus, Fringe e os subversivos
Por Vini Atalaia
No mês de aniversário da cidade de Curitiba / PR, a equipe do Bravus esteve lá para buscar uma pequena amostra do que acontece numa das mais importantes festas culturais da cena brasileira contemporânea: O Festival de Teatro de Curitiba, que este ano, em sua 17ª edição se apresenta como Festival de Curitiba e dessa forma acolhe de forma mais ampla as manifestações que vão além da idéia inicial dos organizadores, quando se limitava às artes cênicas. Atualmente o teatro está como o papel protagonista, mas divide o palco com show, circo, fotografia, exposição, intervenção artístico-social, oficina, debate, dança, humor, ilusionismo e muitas, muitas pessoas. Há tempos o Festival de Curitiba se prepara e dessa vez deixa de ser um monólogo e transforma-se numa mega produção tupiniquim.
Cada linguagem é exposta em vitrines categorizadas, são elas:
* Mostra de Teatro Contemporâneo;
* Fringe;
* Atrações Infantis;
* Festa de Abertura;
* Carrossel;
* Risorama;
* Usina de idéias;
* Residência das artes;
* Mish-Mash.
Para não ficarmos dando milho aos pombos enquanto tudo isso acontece, elegemos como foco, em nossa curta estadia na cidade do “leite quente”, o Fringe, a vertente mais alternativa e democrática do festival. Inspirado no modelo do Festival Internacional de Edimburgo, Escócia e batizado pelo termo inglês, cujo significado é “franja” ou “margem” reúne centenas de espetáculos de companhias nacionais e internacionais. Suas apresentações vão de preços populares ao gratuito. Podem ser vistas tanto em praças públicas – resgatando não só os textos, mas também a forma como nos tempos de Shakespeare e Mollière – até em lugares insólitos como em um hospital. O fato é que nesse período qualquer paralelepípedo da cidade aspira a grandeza do teatro Guaíra.
Por tudo isso e muito mais é que os espetáculos do Fringe nortearão os próximos posts deste especial Festival de Curitiba produzido pelo Bravus. Mesmo que as tentações de se perder no caos cultural estejam sempre presentes.
Festival de Curitiba (de 20/03/2008 a 30/03/2008)
+ infos: www.festivaldeteatro.com.br
Vai lá que ainda dá tempo!
Não perca nos próximos posts dessa semana:
Fotos, os primeiros espetáculos e as presepadas dos bravus paulistanos na linda Curitiba.











Comentários
Tem algo a dizer?