Feira da Vila Madalena :: Bravus Gonzo Repórter
27/08/2007 · Imprima este artigo
Quinta-feira. Estava em pleno expediente, correndo para colocar o Portal Salonpas Cup 2007 no ar quando recebo um telefonema-intimação do amigo-psicólogo-viajante-alucinado VinÃcius Atalaia me desafiando a comparecer na 30ª edição da Feira da Vila Madalena. Taà uma coisa que seria bacana fazer no fim de semana, um post gonzo para o Bravus sobre uma das maiores manifestações culturais de São Paulo.
A “Feira” recebe artistas, religiosos, loucos, bêbados, músicos, pintores e uma infinidade de figuras estranhas da fauna de São Paulo. Domingo. Depois do almoço ligo para o VinÃcius, que amargava uma ressaca da noite anterior, nos encontramos e fomos. Passamos em um mercado de rede extra e compramos quatro latinhas geladas por fora e quentes por dentro.
Paramos na Praça Benedito Calixto para tomar mais uma cerveja e seguimos, a pé, para o local onde a feira acontecia. Mal chegamos e fomos bombardeados por jovens panfletando sobre tudo: festas, almoços, móveis, artesanatos.
Paramos na primeira barraca, do Senhor Juvenal que fabricava instrumentos de percussão e sopro de forma artÃstica. Tinha um estranho objeto musical que era tocado com o nariz. Perdemos 15 minutos tentando, em vão, tocar o estranho instrumento com nossas fossas nasais.
Seguindo, encontramos a barraca de Sahaja Yoga, com um grande poster de Shri Mataji Nirmala Devi e jovens tocando musicas ancestrais com instrumentos acústicos. Paramos para conversar com Jaime, um colombiano gente boa que nos explicou como funcionava o Sahaja Yoga, de como era benéfico e necessário para a evolução espiritual. Percebendo seu sotaque, comentamos sobre a idéia de viajar por toda América Latina. “Esse é um sonho louco que tenho desde pequeno, o legal é sair da Patagônia e ir até a Colômbia, já passei por muitos lugares, mas viajando de avião, quero mesmo ir pegando carona, se vocês forem mesmo, me chamem (risos)”.
As ruas estavam lotadas, mais de 30 mil pessoas passaram pela 30ª edição da Feira da Vila Madalena, ficamos sabendo que o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab estava na área e cortou o bolo de aniversário do bairro de Pinheiros. Mas não cruzamos com ele. A feira tinha um tema: “Xô Apagão!” que propôs uma reflexão para onde o paÃs pode estar caminhando”, como disse uma das coordenadoras da Feira, Vângela Velozo.

Rosa dos Ventos: em todas as direções, pessoas lotavam a Feira
O calor castigava, resolvemos comprar mais uma cerveja. Um garoto bêbado urinava na porta de uma casa em frente à banca de jornal, o que não agradou em nada o dono da banca, que agarrou o pequeno vândalo embreagado e tomou seu boné.
Com o fim da tarde se aproximando, a larica bateu nervosa. Fomos então para a parte onde estavam localizadas as barracas de comidas e nos deliciamos com o perfume dos pratos doces e salgados: chocolates, camarões, bebidas, feijões, lanches, tapiocas, sorvetes em um antro da gula. Escolhemos a “calabresa de Bragança Paulista” e nos acabamos no delicioso lanche de lingüiça com vinagrete e pimenta. Conversando com o dono, descobrimos que ele veio da Zona Leste para a Feira, vende seus deliciosos sanduÃches na Rua Major Angelo Zanqui, na Penha.
O tempo passou depressa, e logo a feira chegou ao fim. As barracas estavam sendo desmontadas exatamente às 19 horas, apesar das ruas ainda lotadas. O calor continuava e voltamos para a Praça Benedito Calixto, onde nosso carro nos aguardava.
Não pude deixar passar batido o muro da Necrópole de São Paulo, um cemitério da Cardeal Arco Verde que tem um muro tomado por arte. Quadros de azulejo foram colocados na sua extensão e artistas foram convidados a manifestar suas visões sobre a morte. A conclusão que chego é que vale muito a pena dar uma volta por aquelas bandas.
Com ou sem a Feira, que acontece anualmente, é sempre muito agradável encontrar artistas na feirinha que acontece na Praça Benedito Calixto todos os sábados, tomar um chop geladÃssimo por lá e “dar uma rodada” para encontrar a arte, que está presente em todo canto do bairro.

Album de fotos: Os Bravus Gonzos Denis e VinÃcius se acabam na calabresa de Bragança Paulista enquanto os donos da barracam observam satisfeitos. No cartão, Shri Mataji Nirmala Devi promete a salvação pela meditação e, finalmente, Denis pede silêncio em frente a obra dedicada ao descanso eterno na Necrópole de São Paulo.











Olá
Adoro a Feira da Vila Madalena, curto desde a primeira, afinal sou de 1946, rs,rs.
Moro em Indaiatuba a 10 anos e nos últimos 03 estive impossibilitado de ir a feira. Gostaria de saber qdo será a desse ano.
Parabens pelas matérias e aguardo ansioso seu retorno
Abçs
Edir Miranda