Especial Curitiba - Sophia e os Instantâneos
26/03/2008 · Imprima este artigo
Como disse Vini Atalaia no último post, duas vertentes estavam acontecendo em Curitiba: O Festival de Teatro e a Fringe – uma espécie de lado B do Festival, mais alternativa e menos pomposa em que resolvemos concentrar nossa atenção.
Ainda na sexta feira, sem querer perder mais tempo, escolhemos quais espetáculos gostaríamos de ver. O melhor seria nos dividirmos para cobrir o maior número de espetáculos possível, por isso eu e minha garota fomos ver “Sophia”, uma adaptação do livro O Mundo de Sophia enquanto Vinícius foi assistir Instantâneos de Tempo em Tempo.

Instantâneos de Tempo em Tempo (Festival de Curitiba – Fringe)
Foi no teatro experimental TEUNI, abrigado nas entranhas da primeira universidade federal brasileira, a UFPR, conhecida também pela militância de seu corpo discente no movimento estudantil, que assisti ao espetáculo Instantâneos de Tempo em Tempo da Cia Provisória. E enquanto o público se acomodava para formar uma das platéias mais intelectualizadas entre os espetáculos que assisti na mostra – digo isso devido aos papos pré-apresentação que surgiam na bilheteria, no elevador ou no espaço que dava acesso ao teatro e ao laboratório de anatomia – a música Sangue Latino (Secos & Molhados) soava num amplificador que não sei a marca. Logo as luzes se apagam, os atores entram em cena e o texto toma vida. No início não entendi muita coisa. Vozes, troca de camisas, depoimentos, sapatos e mais sapatos, chuva… Até que desisto de entender e passo a sentir para compreender a mensagem do trabalho. À minha maneira interpreto os símbolos. 26 pares de calçados naquela noite, todos para um único personagem, ou para muitos papéis sociais, para muitos estilos, para muitas ocasiões. Um para cada vida. O experimentalismo está presente, não há como negar. Movimentos pontuados, acentuados como no concerto da OSESP. Não que seja desprovida de improviso, mas certamente foi exaustivamente pensada para que o sentíssemos. Um belo espetáculo que propõe o encantamento de breves momentos em meio ao frenesi do Festival de Curitiba.
Espetáculo: Instantâneos de Tempo em Tempo (Festival de Curitiba - Fringe)
Onde? TEUNI – Teatro Experimental da UFPR
Trav. Alfredo Bufren, 140 – Pça Santos Andrade – Centro – Curitiba / PR
Cia.: Cia Provisória
Direção: Coletivo (Ciliane Vendruscolo, Cleydson Nascimento, Fábia Guimarães e Nina Rosa Sá.
Texto: Coletivo
Quando? 21/3 e 28/3 às 20h. | 22/3, 27/3 e 29/3 às 23:00h.
Quanto: R$ 10 pilas | Estudantes pagam ½ entrada.
Duração: 60 minutos
+ Detalhes: www.festivaldeteatro.com.br ou companhiaprovisoria@gmail.com
Sophia (Festival de Curitiba – Fringe)
Primeiramente, não sou e não tenho a pretensão de ser um crítico de teatro. Nessa Bravus Trip em Curitiba, um papel de gonzo coube a minha pessoa. Um simples mortal que gosta de ver boas histórias e escrever sobre o que viveu, esse sou eu.
Na cobertura do Festival de Curitiba, focado no Fringe, comecei com o pé direito. Sophia, meu primeiro espetáculo, aconteceu na sexta-feira de noite no prédio da reitoria da Universidade Federal do Paraná, numa sala de aula parecida com aquela do filme Gênio Indomável. Duas meninas e dois rapazes entraram na sala: um ator, duas atrizes e um músico sonoplasta; eu não queria saber quem eram, qual sua companhia, quem estava dirigindo, nada. Apenas queria me sentar e assistir – e foi o que fiz.
Não havia palco. Tão pouco parafernálias eletrônicas, mecânicas ou luminosas para dar algum efeito, o figurino era mínimo, aquilo era Fringe. O foco estava no texto, na interpretação e nas idéias que os atores passavam ao público.
Tratava-se de uma clara adaptação do livro de Jostein Gaarder, mas isso não tornou a história menos interessante para quem já tinha lido o livro. O trabalho desenvolvido foi excelente. Os três jovens atores se revezavam nos papéis, enquanto o sonoplasta fazia um fundo interessantíssimo com um violão, as vezes tocando com uma só mão enquanto, com a outra, manuseava um aparelho de efeitos sonoros.
Recheada de humor, a peça foi também inesperadamente protagonizada por uma senhora da platéia, que tomava para si a atenção com sua risada escandalosa que tirava gargalhadas até dos próprios atores. Isso culminou em reações em cadeia onde, a cada ato cômico, a senhora da platéia gargalhava, as pessoas gargalhavam da gargalhada da senhora da platéia que, por sua vez, gargalhava mais ainda ao ver que suas gargalhadas faziam todos gargalharem.
Acalmados os ânimos, a peça continuava com seu conteúdo cômico/filosófico, lembrando ou apresentando os grandes filósofos e suas linhas de pensamentos ao público, fazendo rir e pensar, trazendo um sentimento de ganho para a noite de sexta feira. Recomendo.
No Próximo Post: Avental Manchado de Ovo, Beatles num céu de diamantes, mais presepadas em Curitiba e outras fotos.











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