Frank Miller - O Homem por tras da obra

Com todo este "must" criado ao redor de 300 de Esparta e Sin City, lembro-me de quando conheci o trabalho de Frank Miller, quando tinha 13 anos e levei logo um baque. O ano era 1993: Chacina da Candelária, o nascimento da República Checa, Hollywood Rock Festival, a moeda era o Cruzeiro Real, Frank Zappa morria e eu estava no último dia do ginásio quando peguei em minhas mãos a edição brasileira do Cavaleiro das Trevas, emprestada pelo meu primo.
Entendam que eu estava acostumado com as histórias politicamente corretas de Crhis Claremont para os X-Men e os heróis não estavam em um caminho de auto-destruição. Foi nesse cenário de inocência que vislumbrei a versão apocalíptica de um velho homem rico tentando preencher seus dias assombrados por um reflexo de morcego em uma cidade dominada pelo crime e sujeira. Bruce não tinha mais idade nem físico para trajar seu uniforme negro. Sem seu vigilante por 10 anos, os jovens de Gothan City acreditavam que "Batman" era apenas uma lenda urbana, uma invenção dos mais velhos.
Teria tudo para ser mais uma história mediana como tantas outras que pairavam nas bancas de São Paulo..se ela não viesse com uma assinatura que mudaria a forma como os quadrinhos eram encarados. Frank Miller abusou dos aspectos psicológicos e problemas que uma grande cidade real enfrenta, alí surgiram os primeiros traços do que seria Sin City, sua grande obra para a Dark Horse, editora criada por Miller para ter total liberdade criativa.
Os personagens da DC e da Marvel que passaram pelas mãos de Frank Miller nunca mais foram os mesmos. Demolidor, o demônio sem medo, Wolverine em sua incursão pelo Japão não saíram ilesos. Frank humanizou esses personagens ao apresentá-los com sentimentos e expressões consideradas defeitos (como o ódio e a falta de consciência) derrubando a aura heróica.
Em Cavaleiro das Trevas, Batman se depara com uma falta de paciência e rabugisse digna de um senhor de idade, resmungando ao tentar escalar um prédio, sem o virtuosismo de outrora, Bruce vive reclamando de si mesmo. A violência explícida também é algo inédito no personagem, que não pensa mais no "bem estar" do inimigo e não exita ao quebrar braços e pernas de seus oponentes.
A ácida crítica política também é uma característica forte de Frank Miller. Em Cavaleiro das Trevas, O Governo "proibe" as ações consideradas justiceiras e os heróis são proibidos de agir (visão que influenciou inclusive o longa da Disney "Os Incríveis"). Apenas o Super Homem tem uma altorização de agir, trabalhando como um Super Agente do governo.
No Filme Robocop 2, dirigido por Miller, as críticas estão nas "bem intensionadas" empresas de segurança - na caótica Detróit, as empresas lançam bizzaras campanhas publicitárias para os sistemas de segurança que protegem os carros de ladrões.
Frank Miller é um mestre, sucessos cinematográficos de suas obras como Sin City (em breve Sin City 2) e 300 de Esparta estão aí para não me deixar mentir.
Frank Miller faz parte da Tríade Sagrada das HQ's, junto com Neil Gaiman e Alan Moore.



Cara não fazia idéia que ele dirigiu Robocop 2....rs
não dirigiu. ele fez só o roteiro. Do 2 e 3. Ele co-dirigiu sin city.
Vai co-dirigir sin city 2 e dirigir o filme do spirt do will eisner. :)
Beleza! Obrigado pelas correções Daniel! Vamos alterar no texto.