Literatura na sala de aula: desperte o prazer pela leitura

Muito tem sido falado sobre a literatura e a falta de interesse dos alunos. Também muito são criticados os professores que utilizam métodos obsoletos de aprendizagem, sem proporcionar qualquer prazer para um aluno já relutante.

E eu sou o primeiro a manter essa crítica.

No entanto, além de criticar, eu pretendo também indicar soluções: com um pouco de criatividade podemos criar dezenas, talvez centenas de formas diferentes de trabalhar uma determinada obra na escola, de forma a atrair a atenção e o interesse dos estudantes.
Vou usar como exemplo um dos livros mais consagrados da literatura: Don Quixote.

De que forma(s) a obra-prima de Miguel de Cervantes poderia ser estudada com prazer na escola?

Vamos partir do início: a leitura.

Possibilidades e jogos de leitura

  • Fazer a leitura em voz alta de alguns capítulos da obra: alunos e professor intercalando a leitura e criando curiosidade quanto ao resto da história. É muito mais divertido do que uma leitura solitária;
  • Jogo de incorporação à leitura: escolhemos um capítulo ou trecho e fazemos algumas marcas no texto (a cada duas ou três linhas). Um aluno inicia a leitura em voz alta e, seguindo uma ordem estabelecida antecipadamente, um novo aluno começa a ler a cada marca do texto, até que todos estejam lendo juntos;
  • Feira de leitura: o grupo encarregado da atividade anunciará — como faziam os leiloeiros antigamente — que em determinada hora e lugar será feita a leitura de certo trecho do livro. Também farão cartazes anunciando o grande acontecimento;
  • Leitura dramatizada: um grupo prepara a narração de algum capítulo da obra para contar aos outros (ao ar livre), utilizando imagens seqüenciais dos fatos. Os narradores podem vestir-se conforme o estilo da época e pode-se encenar alguns personagens;
  • Leitura musical: cada grupo fica responsável por um capítulo e escolhe uma música que combine com o trecho a ser lido. Durante a leitura podem ser feitas pausas para ouvir a música, que ficará de fundo para os narradores.

Que tal? Não são idéias tão complicadas de ser feitas e, sem dúvida, são muito mais divertidas do que um “Leiam o capítulo 5 para a próxima aula!”.

E depois de terminada a leitura? Ficha de leitura para serem preenchidos resumo, personagens e fatos principais? Nem pensar! Não mate os pobres alunos de tédio.

Jogos para depois da leitura

Brincando com os personagens

  • Imaginar como são: desenhá-los, descrevê-los;
  • Desafio de desenho e pintura: concurso de Sanchos e Quixotes;
  • Procurar fotos na internet dos personagens e montar um mural. Depois ler em voz alta algumas falas para ver se os alunos descobrem de que personagem são;
  • Quem é quem?” com os personagens do mural. Dividir a sala em dois grupos pode ser divertido aqui;
  • Escolher um personagem do mural e inventar uma nova vida para ele, uma aventura ou imaginar como seria atualmente;
  • Escrever uma carta ao personagem que cada um escolher.

Brincando com o ambiente

  • Localizar “A Mancha” em um mapa;
  • Descobrir e seguir rotas sobre um mapa;
  • Localizar lugares, populações;
  • Construir murais que mostrem a paisagem;
  • Investigar sobre os tais moinhos;
  • Desenhar os moinhos;
  • Confeccioná-los usando materiais diferentes;
  • Pesquisar sobre costumes e condições de vida da época;
  • Imaginar uma aventura do protagonista em outros lugares, cidades ou países diferentes.

Brincando com palavras

  • Sopas de letrinhas;
  • Palavras cruzadas;
  • Desafios de vocabulário, trabalhar em diversos níveis, com graus de dificuldade variados;
  • Elaboração de pequenos dicionários visuais — escolhe-se um objeto, desenha-se e escreve-se uma simples explicação sobre suas partes ou elementos;
  • Associação de palavras e objetos aos personagens;
  • Agrupar palavras de uma lista por campo semântico;
  • Trabalhar com frases curtas e simples da obra e completá-las com outras novas, para formar rimas: “Tinha em sua casa uma ama que passava dos quarenta/que cuidava da casa e estava sempre atenta”.

Brincando de investigador

  • Copiar e ilustrar algumas frases ou refrões que apareçam na obra;
  • Copiar conselhos que Don Quixote dá a seu escudeiro Sancho;
  • Copiar (talvez cozinhar) a culinária da época: fazer fichas de receitas;
  • Copiar gírias de uso cotidiano: saudações, despedidas etc.

Suficiente? A parte da leitura e interpretação já está bem trabalhada. Vamos passar para a parte da escrita.

Estimulando a escrita

  • Escrever uma carta que os próprios personagens nos teriam enviado, de algum lugar da Mancha;
  • Texto no qual um personagem descreve a si mesmo;
  • Desfile de modelos: entregamos a foto de um personagem e os alunos devem descrevê-lo utilizando comentários como se fosse um desfile de moda;
  • Transformar um episódio que já tenha sido comentado na aula em uma notícia, utilizando a linguagem dos jornais;
  • Entrevista com um personagem: elaboram-se as perguntas antecipadamente, tendo em vista qual seu papel na narrativa;
  • Reescrever um capítulo em forma de quadrinhos;
  • Escrever um capítulo em forma de crônica: colocar a hora em cada um dos acontecimentos;
  • Escrever poemas simples em torno do personagem, objeto ou fato.

Todo mundo escreveu, leu, interpretou? Agora é hora do foco na dramatização: os alunos devem sentir-se parte da história e reviver os fatos do livro.

Fazendo teatro e outras representações

  • Escolher um capítulo e adaptá-lo para linguagem teatral;
  • A dita representação pode (e, de preferência, deve) ter acompanhamento musical, corais etc.;
  • Representações com fantoches: pode-se adaptar um capítulo para crianças, utilizando linguagem muito simples;
  • Teatro de sombras: podemos optar pela construção de figuras ou sugerir que os próprios alunos atuem diretamente.

E agora é hora de desenvolver as habilidades de produção artística.

Oficina de artistas

  • Fazer marca-textos: os próprios alunos podem desenhá-los, depois plastificá-los;
  • Pintar camisetas com cenas da obra, falas de personagens ou o que mais desejarem;
  • Decorar recipientes de vidro com pintura especial para isso;
  • Fazer a armadura de Don Quixote utilizando cartolinas prateadas;
  • Confecção de máscaras com a técnica do jornal picado, farinha e água;
  • Confecção de fantoches utilizando material reciclável.

Ufa! Aposto que isso é muito mais do que qualquer professor já tenha trabalhado sobre uma obra ou qualquer aluno tenha se interessado por um livro.

É claro que não será possível, conforme nossa realidade, organizar todas essas tarefas. Mas a partir delas, muitas outras idéias podem surgir ou ser adaptadas. Cabe a cada professor saber a hora certa de colocá-las em prática e também ao aluno sugerir (ou exigir, em casos extremos) sua realização.

14 comentários
  1. Posted by Vanderlei Aparecido da Silva
  2. Posted by Rosana Correa
  3. Posted by Vania Silva
  4. Posted by renata nascimento
  5. Posted by Silvana
  6. Posted by Ingrid
  7. Posted by J.NUNEZ
  8. Posted by Kariny
  9. Posted by MARIA DO ROZARIO COSTA
  10. Posted by Meiry
  11. Posted by Lino Silva de Souza
  12. Posted by frank
  13. Posted by Jorge Alberto
  14. Posted by Denis