Lowrider um estilo de vida (Raza Unida L.C)

Lowrider um estilo de vida (Raza Unida L.C)

Em 1846, os Estados Unidos declara guerra ao México em uma campanha para ocupar terras do Atlântico ao Pacífico. Esta Guerra ocorreu exatamente ao lado Norte do Grande Rio, hoje Estado do Texas. No ano seguinte, foi à região Norte Mexicano a ser conquistada. Tempos depois, um embaixador estadunidense foi enviado para estabelecer um tratado de paz entre os dois países. O tratado final foi assinado em 02 de fevereiro de 1848, na pequena cidade mexicana de Guadalupe Hidalgo. Com o final da guerra entre as duas nações, os estados hoje conhecidos da Califórnia, Nevada, Utah, Texas e parte do Colorado, Arizona, Wyoming e Novo México foram transferidos aos Estados Unidos. Mesmo depois da ocupação, os mexicanos que moravam nessas localidades falavam e escreviam em espanhol, mantendo suas culturas e cultivando a terra de seus ancestrais da qual era fonte de renda. As primeiras gerações mantinham as tradições de seus pais, porém o termo Mexicano-Americano seria uma nova “identidade”.

A Revolução Mexicana de 1910 fez com que aproximadamente 10% da população do México, imigrasse para os grandes centros urbanos nos Estados Unidos; como El Paso no Texas e Los Angeles na Califórnia. Esses imigrantes procuravam paz, oportunidade de emprego, estabilidade social e uma vida melhor para seus filhos. Terminada à Revolução Mexicana, mais mexicanos eram contratados para trabalharem nas minas, ferrovias e agricultura, eram "mãos de obra barata". Muitos foram explorados em seus direitos trabalhistas e de saúde. A revolução mexicana teve como principal líder, Emiliano Zapata (foto ao lado). Recrutando camponeses, em grande parte indígenas, criou um grande exército em 1910, apoiando Francisco Ignacio Madero, derribando o ditador Porfirio Diaz. Juntamente com Pancho Villa, exigiam a reforma agrária no país e uma política justa. Emiliano Zapata morreu assassinado em 1919.

O termo "CHICANO", tido por muitos descendentes mexicanos como original e conseqüentemente reflexivo as suas culturas ancestrais, trazia em seus primeiros usos, um tom discriminatório. A fonte mais provável da palavra, surgiu em 1930 quando os pobres mexicanos rurais foram levados aos Estados Unidos - como opção de mão de obra barata, entre um acordo dos dois países. O termo - conforme pesquisa da Universidade da Califórnia - parece ter derivado nos campos rurais da Califórnia, onde a pronuncia local era "Mesheecanos" (mexicanos). De acordo com as regras de pronunciação, é comum a troca da junção CH por determinadas consoantes. No início era insulto ser identificado por este termo. Foi com os ativistas Mexicanos-americanos que o Termo Chicano fixou-se.
A realização de muitos jovens Chicanos no início dos anos 40 em Los Angeles era possuir um automóvel, mesmo que fosse usado ou recuperado de ferros velhos, sendo comum nos bairros os Chevrolets e Fords, pois possuíam uma mecânica fácil e barata. À vontade de ser diferente, surgiu com muito estilo e personalizações jamais vistas em outros veículos, juntamente com uma tendência popular entre os Chicanos de cabelos lisos, trajando ternos e sapatos brilhantes, chamados PACHUCOS. A idéia era passear com os carros "baixos" na Whittier Boulevard; fizeram de tudo um pouco, desde sacos de areia ou tábuas escondidos nos porta-malas; até mesmo esquentando os feixes de molas para que elas se comprimissem com o peso da carroceria, além dos cortes nas molas dianteiras.

Em meados do anos 50, Ron Aguirre em San Bernardino, Califórnia, usando peças hidráulicas e outros componentes retirados de velhos Bombardeiros B-52, "instalou" a primeira "suspensão" hidráulica em um Corvete 1957. Juntamente com Larry Watson, aplicaram uma pintura com várias tonalidades e implementaram rodas cromadas, surgiu então o primeiro Lowrider. Tempos depois, Aguirre transformou o mesmo Corvete 57 no X-Sonic, uma "mistura de automóvel e nave espacial". Na mesma época o termo LOWRIDER (andar baixo), surgiria para identificar o estilo e registrar a sua ligação com a Cultura Chicana.
No começo dos anos 60, era crescente os adeptos ao Lowrider fazendo com que outros pioneiros, como Carl Watson (Compton), Don Lasar (Sul de Los Angeles), Vince Bacardo (Leste de Los Angeles) entre outros, investissem em novas peças e novas técnicas de instalações do Sistema Hidráulico nos veículos. Esse crescimento fez surgir em Los Angeles os primeiros car clubs; Duke´s e Imperials. No mesmo período surgi às miniaturas automotivas, feitas sob encomenda. O gosto foi tanto que a comunidade Lowriding respeitou as mudanças nas miniaturas como arte, igualmente feita nos carros-lowrider de verdade. Ted Rodrigues de Pacoima, Califórnia, começou uma nova tendência em 1981, quando sua miniatura pela primeira vez, aparece nas páginas da Lowrider Magazine.

No ano de 1963 a tradicional fábrica de bicicletas Schwinn - fundada em 1895 nos Estados Unidos, lança a "Sting-Ray", um modelo com guidão alto, banco banana, sinalização traseira e a roda dianteira menor que a traseira, imitando as modificações nos veículos da época. Em 1968 a mesma Schwinn lançaria o modelo "Sting-Ray Krates", com os mesmos acessórios da anterior, mas, que ganhava um novo e exclusivo sistema de amortecimento no garfo dianteiro (graças a uma mola); comando de troca das marchas com cinco velocidades e protetor na corrente. Segundo o historiador Jim Hurd, à Schwinn fabricou entre 1963 a 1973, um pouco mais de 17 milhões de bicicletas no estilo "Sting-Ray". Os admiradores com pouca idade ou que não tinham condições financeiras para adquirir um carro-lowrider, viram na bicicleta a possibilidade de possuir um Lowrider em duas rodas. Logo adicionaram flâmulas (bandeiras), espelhos e abaixaram o quadro consideravelmente. Dobrar o garfo dianteiro era a maneira mais comum de abaixá-las, as peças ganharam novos cromos e polimentos, "um produto do bairro mexicano" diziam os Chicanos relacionados ao movimento Lowrider. As Bicicletas tornaram-se um dos segmentos mais populares do Lowriding até os dias de hoje, com presença em quase todas as partes do Mundo. As adaptações tornaram-se tantas, que podemos encontrar pistões hidráulicos para o garfo dianteiro. Em alguns casos, uma bicicleta-lowrider pode ter mais de US$10.000 em serviços especializados e equipamentos e peças "banhados" a ouro. Em 1992, Alberto Lopez com ajuda da Dayton Wire Wheels, projetou as rodas de bicicleta "Baby Daytons" com 72 raios, tempos depois Warren Wong, criou as rodas com 144 raios. A partir de 92 surge o modelo "Aztlan Cruiser", produzida até hoje pela Aztlan Bicycle Inc.

A partir dos anos 70, com o crescimento dos Car Clubs, os eventos ligados ao Lowriding eram realizados com mais freqüência, acumulando uma pequena parte da imprensa especializada em publicações automotivas. Em 1977 a revista Lowrider Magazine lança sua primeira edição, sendo a primeira revista exclusiva sobre o movimento Lowrider. A partir dos anos 90 os admiradores pelo estilo se adaptaram ao Lowriding, criando o segmento carros-euros-lowrider, uma mistura perfeita de tecnologia e estilo. O Lowriding tem como grande aliado, a Cultura Hip-Hop, lembrando, que grandes nomes do Rap nacional e internacional são adeptos ou admiradores do Lowrider.

Depois dos Estados Unidos, o Japão se destaca por possuir um grande número de adeptos ao Lowrider, anualmente grandes eventos são realizados em território japonês e acompanhados pela Imprensa. Na Europa, existem praticantes do Lowriding, principalmente na Alemanha e Inglaterra.

Na América Latina, o número de adeptos e admiradores aumenta a cada ano, aumento este verificado através de contatos (e-mails) e outras fontes de pesquisas a respeito de nossos hermanos: Mexicanos (principalmente nas cidades que fazem fronteira com os Estados Unidos; exemplo disso é o "Tijuana Caliente", com cobertura da Lowrider Magazine), porto-riquenhos, venezuelanos, colombianos, peruanos, argentinos e claro, muitos compatriotas brasileiros.

Brasil 1997, o primeiro carro-lowrider é de fabricação nacional, um Galaxie 1968, pintado na cor roxa com detalhes em branco. O responsável, um brasileiro de São Paulo, Sérgio Yoshinaga, conhecedor do Lowrider em todos os seus segmentos, trabalhou mais de oito anos no Japão aprendendo as técnicas de instalação do kit hidráulico, além de representar no Brasil a placa de um dos Car Clubs mais respeitados do Japão, o New Mafia. Sua primeira "aparição" nacional foi no programa Domingo Legal do SBT, tendo uma grande repercussão, pois era a primeira vez que se via um automóvel de quase 6 metros de comprimento "dançar". No começo de 1998, José Américo "Tata", retornou de Miami, na Flórida, onde morou e se aprofundou no Lowriding, trazendo para o Brasil as técnicas de pintura "Metal Flake", "Wire Wheels" (rodas de arame) e "Kits" Hidráulicos, além de todo o contexto cultural do movimento Lowrider, nos dias de hoje Tata é referência da cultura no Brasil. Em se tratando de referência, Antônio Carlos, mais conhecido como “Alemão”, foi o responsável pela presença das primeiras Bicicletas Lowrider no Brasil e continua a propagar e difundir a verdadeira arte Lowriding. Sérgio, Tata e Alemão, se conheceram e firmaram o objetivo de divulgar o movimento Lowrider.
Mais do que automóveis “rebaixados” e bicicletas “engraçadas”, o Lowrider é um conjunto de cultura, família, religião e personalidade levados a sério, como um verdadeiro estilo de vida.

Texto: Paulo de Souza ( Raza Unida Lowrider Club )
Site: Baixo e Lento

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  11. Posted by david dornelas