O Mito da Caverna :: Platão - Livre é quem pensa
3/07/2007 · Imprima este artigo
Algumas cervejas + um bar - senso comum = filosofia de bar. Algo com o que a maioria dos freqüentadores e articulistas do Bravus.Net se identifica e sabe fazer. Difícil é quando nos deparamos, em um churrasco de família ou no casamento da prima mais velha, com pessoas que dizem ter o mesmo sangue que a gente, mas nos fazem sentir como se fossemos alieníginas.
Não somos nerds, pelo contrário, somos subversivos e politicamente incorretos. O fato é que eles só sabem falar de futebol e novela, não conseguimos manter um diálogo sobre a orelha de Van Gogh ou aquela mensagem subliminar do último filme de Tarantino. Então nos mantemos calados, reforçando nossa imagem de anti-sociais e alienados…
Triste, ver como eles foram ao êxtase com a vitória do Alemão no Big Brother, mas não sabem que o título do programa é um termo extraído do livro 1984 de Orwel (acho que nem sabem que esse livro existe) e que, o mesmo livro, inspirou Alan Moore no excelente V de Vingança.
Ou mesmo Matrix, o mais próximo que conseguiram chegar da filosofia e do existencialismo, apesar da esmagadora maioria não ter captado 10% das analogias do filme.
Talvez eles dessem mais importância ao Mito ou Alegoria da Caverna. Esse conto que serviu de estrutura básica para as aventuras voadoras de Neo em Matrix encontra-se na obra intitulada “A República” (livro VII).
O Mito é simplesmente uma exemplificação de como podemos nos libertar da condição de escuridão que nos aprisiona através da luz da verdade. Você conhece? Escolha a pílula vermelha e mude agora:
Imaginemos uma caverna subterrânea onde, desde a infância, geração após geração, seres humanos estão aprisionados. Suas pernas e seus pescoços estão algemados de tal modo que são forçados a permanecer sempre no mesmo lugar e a olhar apenas para frente, não podendo girar a cabeça nem para trás nem para os lados. A entrada da caverna permite que alguma luz exterior ali penetre, de modo que se possa, na semi-obscuridade, enxergar o que se passa no interior.
A luz que ali entra provém de uma imensa e alta fogueira externa. Entre ela e os prisioneiros - no exterior, portanto - há um caminho ascendente ao longo do qual foi erguida uma mureta, como se fosse a parte fronteira de um palco de marionetes. Ao longo dessa mureta-palco, homens transportam estatuetas de todo tipo, com figuras de seres humanos, animais e todas as coisas.
Por causa da luz da fogueira e da posição ocupada por ela, os prisioneiros enxergam na parede do fundo da caverna as sombras das estatuetas transportadas, mas sem poderem ver as próprias estatuetas, nem os homens que as transportam.
Como jamais viram outra coisa, os prisioneiros imaginam que as sombras vistas são as próprias coisas. Ou seja, não podem saber que são sombras, nem podem saber que são imagens (estatuetas de coisas), nem que há outros seres humanos reais fora da caverna. Também não podem saber que enxergam porque há a fogueira e a luz no exterior e imaginam que toda a luminosidade possível é a que reina na caverna.
Que aconteceria, indaga Platão, se alguém libertasse os prisioneiros? Que faria um prisioneiro libertado? Em primeiro lugar, olharia toda a caverna, veria os outros seres humanos, a mureta, as estatuetas e a fogueira. Embora dolorido pelos anos de imobilidade, começaria a caminhar, dirigindo-se à entrada da caverna e, deparando com o caminho ascendente, nele adentraria.
Num primeiro momento, ficaria completamente cego, pois a fogueira na verdade é a luz do sol, e ele ficaria inteiramente ofuscado por ela. Depois, acostumando-se com a claridade, veria os homens que transportam as estatuetas e, prosseguindo no caminho, enxergaria as próprias coisas, descobrindo que, durante toda sua vida, não vira senão sombras de imagens (as sombras das estatuetas projetadas no fundo da caverna) e que somente agora está contemplando a própria realidade. Libertado e conhecedor do mundo, o priosioneiro regressaria à caverna, ficaria desnorteado pela escuridão, contaria aos outros o que viu e tentaria libertá-los.
Que lhe aconteceria nesse retorno? Os demais prisioneiros zombariam dele, não criam em suas palavras e, se não conseguissem silenciá-lo com suas caçoadas, tentariam fazê-lo espancando-o e, se mesmo assim, ele teimasse em afirmar o que viu e os convidasse a sair da caverna, certamente acabariam por matá-lo.











Chega a ser triste como a filosofia sempre se aplica a algo atual.
A alegoria da caverna sempre me lembra dos esforços que faço desde (quase) criança, para transmitir conhecimento, cultura útil, efim, fazer as pessoas enxergarem a luz do Sol.
É triste.
Bom André, você tem companhia qdo o assunto é transmitir cultura útil. Pelo menos é o que tentamos no bravus.
[…] confessar que já vi alguns textos um tanto apelativos por lá, porém alguns outros mantêm minha curiosidade e expectativa por novos textos a cada […]
Eu gosto muuuito do Bravus e não é novidade. Existe um tempero no ponto que me distrai, me informa e me ensina… que bom, né?
:*:*:*
Parabéns Bravus, atrasados, pelo Dia do Escritor!
Na Caverna está quase toda a população da Terra, é ou não é? Mas como disse o Dé e o Diego, alguns de nós tentamos desesperadamente levá-los à luz…
Bjs!
a maioria da população existente no mundo não está preparada para sair da caverna…procurar ou entender…nem tampouco aceitar a realidade!!!! O Mito da Caverna eh o proprio Planeta Terra!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
acredito que o mito da caverna seja um ensinamento para todos os dias de nossas vidas, sendo fundamental que sempre procuremos o conhecimento, e de posse deste conhecimento, saibamos fazer ver tambem os nossos semelhantes.
Ficou claro que tal alegoria pressupõe o abandono do mundo das sombras por um mundo palpável, muito mais atrativo do que a farsa em que aqueles homens viviam. Entretanto, Matrix, que é uma versão moderna desta alegoria, ao que me parece, o mundo virtual era muito mais atrativo do que a realidade.
Na alegoria há uma fuga do mundo imaginário para o mundo real, ao contrário de Matrix, pelo menos foi o que eu pude observar.
No entanto, gostaria de deixar consignado que o dircurso sobre o homem não ser um animal mamífero e sim um vírus, foi perfeito.
maravilhoso seu texto. muito pertinente vc associar o silêncio na festinha da família ao desconforto do sábio explicitado no mito da caverna. estarei sempre aqui. bravus merece ser lida e denis tb, é claro . obrigada.
Uma caverna? caramba eu não sei se vcs se viram no reporter,mais descobriram a fortaleza da solidão do superman.Porque não acreditar na caverna do dragão?
tudo isso é muito importante para nós todos
esse mito nos leva a refletir, e acredito que o ser humano
nunca comseguiria viver sozinho e isolado por todos
certamente depois de libertado morreria logo em seguida.