Papus Bravus com Drauzio Varella (e o cigarro...)

Cigarro banido de São Paulo: 90% dos paulistas são a favor... mas apenas em lugares fechados.

Isso foi o que mostrou uma pesquisa encomendada pelo governo do Estado - e os próprios fumantes se mostram a favor: 78% dos fumantes são favoráveis ao veto ao fumo, 88% de ex-fumantes e 94% de não fumantes apóiam medida.

O resultado surgiu pelas mãos do Ipespe (Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas), que realizou, nos dias 4 e 5 de setembro, mil entrevistas telefônicas à pessoas a partir de 16 anos de idade, com graus de instrução e renda familiar diferentes.

Mas claro que houve ressalvas: dependendo do local considerado, a porcentagem de adeptos da idéia varia, principalmente quando questionados a respeito de bares e boates, lugar onde o tabaco rola solto, pois é considerado “propício ao fumo”, a porcentagem de favoráveis é menor que de outros locais.

Entre os fumantes, 84% apóiam a proibição do fumo em restaurantes e nos escritórios, enquanto 81% nos estabelecimentos comerciais e 47%, em bares e boates.
Se considerar todos os entrevistados, 91% acreditam que o consumo de cigarros e outros derivados do tabaco deve ser proibido em restaurantes e nos escritórios. Já 90% são favoráveis a vetar o fumo em estabelecimentos comerciais, e 75% nos bares e boates.
A necessidade da pesquisa surgiu por causa de um projeto que está rolando por aí onde o consumo de cigarros, cigarrilhas, charutos ou qualquer outro produto que se fume não será permitido em bares, restaurantes, hotéis, ambientes de trabalho, estudo, culto religioso, lazer, esporte e entretenimento. Ou seja, São Paulo está novamente seguindo as implantações de cidades do mundo afora, como já aconteceu com o “cidade limpa” e a limitação de caminhões de grande porte no centro.

Além desses espaços, nas áreas comuns de condomínios, casas de espetáculos, teatros, cinemas, pousadas, museus, bibliotecas e espaços de exposições também será proibido, assim como em centros comerciais, bancos, supermercados, açougues, padarias, farmácias, drogarias, repartições públicas, instituições de saúde, escolas e veículos de transporte coletivo, viaturas oficiais e táxis.

Fumar... eis aqui uma questão polêmica. Até aonde vai a liberdade de quem fuma? Até aonde quem não fuma deve suportar o hábito de quem fuma? Recentemente o Bravus.Net conversou com o Dr. Drauzio Varella durante um congresso em São Paulo, veja o resultado...

Papus Bravus com Drauzio Varella (e o cigarro...)

Bravus:Você era fumante que eu sei...

Dr. Drauzio Varella: Fui dependente de nicotina por 20 anos, comecei adolescente, quando não sabia o que fazer com as mãos durante as festas nos anos 60 e o cigarro estava em toda parte: televisão, cinema, outdoors... havia inclusive um comercial que dizia que tal médico recomendava tal marca de cigarro porque fazia bem à saúde.

Bravus: E como conseguiu largar o vício?

Dr.D.V.Quando fui trabalhar no Hospital do Câncer, a literatura científica já deixava clara a relação existente entre o fumo e diversos tipos de câncer como o de pulmão, esôfago, estômago, rim, bexiga e os tumores de cabeça e pescoço. Eu já se sabia inclusive que de cada três casos de câncer, pelo menos um era provocado pelo cigarro. Na irresponsabilidade que a dependência química traz, fumava na frente dos doentes e os recomendava a abandonar o cigarro. Fumei em ambientes fechados diante de pessoas de idade, mulheres grávidas e crianças pequenas. Quando eu era professor de cursinho, durante quase 20 anos, fumei nas salas de aula, induzindo muitos alunos a adquirir o vício. Quando me perguntavam: "Mas você é cancerologista e fuma?", eu ficava sem graça e dizia que ia parar. Só que esse dia nunca chegava. A droga quebra o caráter do dependente. O vício da nicotina é uma das coisas mais difíceis de livrar o cérebro... eu sei porque quando fiz o trabalho no Carandiru, via os presos indo para a solitária... eram viciados em crack, cocaína... coisa pesada, mas quando saíam, depois de um mês, a primeira coisa que pediam era um cigarro. Eu mesmo, até hoje sonho com um cigarro e, se soubesse que eu morreria daqui a um minuto, acenderia um cigarro agora, tamanha a força da substância.

Eu sinto pelas pessoas não terem acesso a tudo o que eu vi sobre o cigarro e suas conseqüências... o cigarro não é um “ato de liberdade”, pelo contrário... o fumante está preso a ele. O tabaco não é “um problema do fumante”, pois quando as doenças se manifestam (e todas são horríveis), quem sofre junto com o fumante é a família e amigos, quais o fumante – e agora doente – fica totalmente dependente.

Nesses dias discuti com um homem do prédio onde moro, que disse que fumar era um direito de liberdade dele. Só que a liberdade dele afeta a todos ao redor, pois a fumaça – subproduto do cigarro – fica solta no ar, poluindo. Bem, então se eu gosto de tomar uma cerveja, meu subproduto é a urina. Tenho certeza de que nenhum fumante iria gostar que eu urinasse na caixa d’água do edifício, não?

Pelo visto, Drauzio é Bravus...

Comentários

4 Comentários para “Papus Bravus com Drauzio Varella (e o cigarro...)”

  1. Nelson Vilhena Granado on fevereiro 26th, 2009 13:57

    Senhores boa tarde. Não sei se o local para reclamação é esse, mas "vai lá". Quarta-feira, dia 25 de fevereiro, entrei em uma livraria-sebo da Rua Luís Góis, 1006 (não tenho certeza do número, mas fica próximo da Rua Domingos de Morais, na primeira quadra de quem vai no sentido da "Domingos" para a Rubem Berta) para ver livros - eu queria comprar livros de psicologia - e lá a proprietária e um garoto funcionário fuma demais. É impressionante! Em um ambiente fechado, pequeno etc etc uma fumaceira e mal cheiro. Essa é a minha reclamação. Obrigado por "me ouvirem".

  2. aracy dos santos mendonça on abril 20th, 2010 13:00

    dr drauzio mnha mae foi diagnisticada como cardiopata grave ela tem 73anos e diabetica,e o medico disse que ela precisa fazer uma cirurgia ,acontece que nos estamos tentando arrumar a 2anos e nao estamos conseguindo agora ela esta ficando com as perna e barriga muito inchadas,abril feridas nas pernas escorre muita agua e o medico disse que do coraçaose puder nos ajudar nos agradecemos a atencao muito obrigado

  3. Umberto Moreira Bareto on setembro 27th, 2010 11:43

    Bom dia Dr. Drauzio!
    Tenho muito respeito pela pessoa do Sr., Drauzio Varella e não pelo Dr. drauzio Varella, pelo fato do Dr. usar o Fantastico da Rede Globo para criticar aqueles que indacam ou fazem uso dos fitoterapicos, na posição do Dr. o silência seria bem melhor as críticas. O Dr. tem que entender que a midia divulga que o Sr. é o médico da familia brasileira, isso não é verdade. eu sou brasileiro e não tenho o Sr. como médico da minha familia, porque eu nunca fumei cigarro, nunca fumeia maconha, nunca fumei crak, nunca cherei cocaína, nunca bebi, sempre pratiquei esportes e adoro estudar. Ai eu me pergunto como o Sr. Dr. Cancerologiata vai conseguir fazer com que as pessoas acredite nas suas teses, comentários, críticas etc..., já que o Sr. Dr. foi e será um mal exemplo por ter sido ex-fumante, fez apologia ao cigarro sendo Médico Cancerologiata e Professos, será que eu estou certo ou errado. Não quero ser julgodo pelo Sr Dr. Drauzio Varella, e sim pelo povo que não tem vícios.

  4. luiz carlos pauli on novembro 2nd, 2011 19:17

    DEUS DO CÉU....o tal dr. fumou por 20 anos...tá aí, com saúde, ensinando os outros, que cigarro faz mal?? Meu Deus do céu...que país esse nosso.

    Os médicos, em pericia médica, para a justiça de SP, 19 vara civel, forneceram um PERICIA mÈDICA, onde comprovam, que cigarro não causa doenças.

    Ora, os próprios colegas do Dr., dizem que cigarro não é causa de doenças......e ele vem a publico dizer o contrário.

    Dr. DRauzio..assina tambem, um documento oficial, comprovando que cigarro faz mal.......eu disse COMPROVANDo..e não mais dizendo..."PODE"...

Tem algo a dizer?