Pensão de ex mulher
6/05/2008 · Imprima este artigo
Pensão é um caso que pode ser a melhor ou a pior coisa do mundo e isso depende se você é a pessoa que paga ou a pessoa que recebe.
Geralmente atribuída a maridos que abandonam o lar para constituir nova família,casamentos infrutíferos, casos de adultério e até mesmo amor acabado, a pensão pode também fazer o caminho inverso ao tradicional: apesar de raras, há situações onde a mulher paga a pensão para seu ex-marido, já pensou?
Mas vamos ao foco do texto Escrevo aqui estas tortas linhas para denunciar o perigo deste nefasto aparente benefício, que pode levar a uma vida lesante e acomodada.
Não… não escrevo isso porque sou ex-marido e tenho que cumprir com as minhas obrigações que são, graças à Deus, apenas perante minha filha. Escrevo isso por causa da parábola que narro a seguir:
Há muitos e muitos séculos atrás, na antiga China, um sábio mestre caminhava com seu jovem aprendiz pelas estradas de sua província. Era comum saírem em caminhadas para ter mais contato com a comunidade local.
Foi num desses passeios que os dois monges - mestre e aprendiz - encontraram uma pequena propriedades muito mal tratada. O mato crescia livre pelo caminho. A casa, ao fundo, parecia prestes a desabar a qualquer instante. As crianças, filhas do jovem casal dono da propriedade, pareciam pequenos mendigos com roupas sujas e rasgadas, cabelos compridos e totalmente sujas e largadas pelo campo.
O mestre, chegando às crianças, perguntou onde estavam seus pais. As crianças responderam que estavam dentro da casa e os chamaram.
Saindo, o casal convidou os monges a entrarem na casa, onde começaram um diálogo sobre as condições da vida.
Somos muito pobres, disse o jovem esposo, mas tiramos nosso sustento da nossa vaca, que agora pasta do outro lado da propriedade. Dela conseguimos leite, que trocamos por outras mercadorias e, o que sobra, consumimos.
Mas vocês não desenvolvem nenhum outro tipo de trabalho? Questionou o mestre, e quando a vaca morrer?
Então a vida seguira seu rumo e certamente encontraremos uma solução.
O mestre lamentou a atitude da família e resolveram partir. Na saída da propriedade, encontraram a vaca pastando próxima a um abismo. O mestre então ordenou a seu pupilo que empurrasse a vaquinha abismo abaixo.
O pupilo, sem entender a ordem, tentou buscar algum argumento contra o mestre. Mas o mestre não estava disposto a discutir, ordenando com energia que o pupilo fizesse logo o que lhe havia ordenado.
Sem saber direito o por que de seu ato, o pupilo se aproximou do animal e o empurrou abismo abaixo e viu a vaca morrer nas pedras no fundo do penhasco.
Aquela visão o atormentou pelos anos seguintes, o arrependimento tomou sua alma, imaginando a família se encontrar na necessidade de vender o pouco que tinha, sua pequena propriedade, para não morrer de fome. Entrou em crise e desistiu de ser monge, afastando-se de seu antigo mestre por causa do acorrido.
Os anos se passaram, mas a consciência do antigo monge não acalmou. Com o antigo mestre morto, conseqüência de sua idade avançada, ele decidiu procurar a família que sofrera com sua ação e apresentar-se como culpado, oferecendo ajuda às suas necessidades, mas não tinha idéia de onde poderiam estar.
Voltou então à pequena propriedade, imaginando encontrar ali um novo dono que talvez soubesse dizer onde a família se encontrava. Com sorte teriam ficado na propriedade trabalhando como empregados para o novo dono.
Chegando no local quase não reconheceu. Flores cresciam por todos os lados, rebanhos de animais gordos se alimentavam em pastos verdes e, no fim, a mesma casa, porém agora toda decorada, com pintura nova e caprichos que a enfeitavam por inteira.
O antigo pupilo se aproximou e encontrou duas belas jovens cuidando das flores e dos animais. Por gentileza, saberiam me informar o que houve com uma família que vivia aqui há uns 5 anos atrás? Perguntou.
Sim, disse uma das jovens, ainda vive aqui, moramos aqui desde que nascemos e nossos pais estão lá dentro.
O monge chegou a casa e foi recebido por três empregadas, que o trataram cordialmente e chamaram seu patrão, o mesmo homem que, anos antes, havia lhes contado a história da vaquinha. O homem não reconheceu o antigo pupilo e o tratou como se fosse a primeira vez que o visse.
Conversaram sobre como o homem vivia antigamente, na própria miséria vivendo apenas a custa de uma vaquinha e como foi triste o dia que a encontraram morta no precipício. Pensaram que era o fim da linha, morreriam de fome. Mas o desespero os movera para frente. No zero, pegaram o pouco que tinham e começaram a produzir, pequenos artesanatos primeiro, feitos de barro. Depois compraram pano e começaram a tecer. Cada um descobriu um talento oculto para o artesanato, costura, culinária. Começaram a crescer e hoje vivem bem.
Depois de uma tarde agradável o antigo monge se despediu, feliz com a situação da família. Mas não contou-lhes que foi ele quem empurrou a vaquinha para a morte. Finalmente entendeu o que o mestre desejava.
Essa história tem tudo a ver pra mim pois conheço muitas pessoas que possuem uma “vaquinha”, que os impedem de evoluir na vida. Algumas delas, justamente, por causa de uma pensão.
Claro que não posso generalizar e a pensão foi só um pretexto que usei para a fábula porque conheço mais de uma pessoa que não vive sem esse “osso” que não consegue largar.
Será que não está na hora de você avaliar a sua vaquinha?










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