Porque não sou Comunista...
Há um momento na juventude em que somos românticos. Não romântico do tipo que manda flores e escreve cartas, mas romântico daquela maneira ingênua e explosiva. Com 16 anos temos certeza de que podemos mudar o mundo. Aceitamos o alternativo, o subversivo e o conflitante como caminhos para negar aquilo que é vigente, combater o poder tirano que nos limita. Mergulhamos dogmaticamente em ideologias prontas.
Com o tempo e com as necessidades, deixamos essas fantasias de lado e nos deparamos com uma realidade (clichê) dura. Percebemos que nossa banda não fez sucesso, que nossos parceiros – um a um – se rendem às instituições, ao capitalismo, ao casamento. E mais: nossos companheiros amorosos esperam mais da gente do que uma vida de hippie. Nós mesmos acabamos seduzidos pelo canto da sereia capitalista, que nos ilude com a idéia de que nossas aptidões, nosso talento, pode ser muito bem aproveitado e rentabil nesse admirável novo mundo, movido pelo consumismo exarcebado.
Bem queridos leitores, o que dizer? Onde foi que aquele jovem (você) fraquejou e cravou seus caninos no fruto proibido?
Sabe-se apenas que nesse momento você passa a negar-se. As crenças são transformadas facilmente em utopias”juvenis” e os atos prostituosos e mercenários passam a ser tolerados, sempre com embasamento e reforço do pecador ao lado.
Os sonhos e ideais da felicidade passam a ser outros. Da visão fraternal, da divisão socialista, da vida sustentável restam apenas resquícios. Tudo foi trocado pelo financiamento do carro e do apartamento, pelo cartão de crédito dividindo a dívida na Tok & Stok.
Mas não se culpe pela escolha do seu caminho, caro leitor. O que faria você? Seria diferente por exemplo do “comunista” Netinho de Paula, aquele conhecido pagodeiro agressor de mulheres e jornalistas que, ao invés de cadeia, vai amargar um cargo de senador de São Paulo?
Não... isso não é uma anti-campanha. Seria uma baita ignorância da minha parte crer que um texto assim faria Netinho despencar da lista de intenção de v(e?)otos. Ele é apenas um objeto de estudo para este texto. Eu, que vergonhosamente já fui filiado ao partido dele, desisti da militância quando vi excesso de egoísmo, conceito que vejo como uma antítese de comunismo.
Tão pouco sou um anti capitalista. Sou apenas um pecador, como você. Escravo de mim mesmo também. Um observador talvez me defina melhor. Gosto de provocar pensamentos, mesmo que os meus, muitas vezes sejam falhos, afinal, sou construído de um retalho de idéias mal concretizadas e levadas com a barriga, como qualquer coisa aliás que nós, humanos, fazemos.
Sigo as ideologias que eu mesmo construo conforme me é conveniente. Não posso mentir.
Enfim, eu demagogo, que falo tanto do consumismo, estou tentando entender uma vontade absurda que me deu de comprar uma Câmera Digital Canon Rebel T2. Pra que diabos afinal eu quero isso se nem fotógrafo eu sou?



Tem algo a dizer?