Presepadas no Salonpas Cup
24/09/2007 · Imprima este artigo
Xingamentos em diversos idiomas, programas de índio para as jogadoras turistas e pecado dentro de uma igreja. Coisas que só acontecem com o bravusman Denis Rodrigues na organização de um torneio esportivo internacional.
Gosto de trabalhar na organização do Salonpas Cup e, apesar de ser responsável pelo site, sempre tem problemas chegando para resolver. Quando todo mundo faz de tudo, a equipe ganha, o torneio ganha e as pessoas envolvidas aprendem mais. Mas como todos sabem, merdas acontecem e ninguém está a salvo de cometer (várias) gafes.
Um desses “acontecimento” foi um passeio turístico por São Paulo. A equipe polonesa queria sair do hotel, conhecer um pouco o local em que estavam hospedadas. Foi difícil elas conseguirem uma folga com o técnico (que queria treino todos os dias). Mas lá estavam elas dentro do ônibus em direção ao centro da cidade. Como sempre me atrasei demais e fui de metrô ao encontro delas.
O Centrão e a “Big Tower”
Não sei de quem foi a idéia de mostrar a praça da Sé para as polacas, mas elas estavam muito interessadas em ver de perto os contrastes do Brasil. Estávamos todos em um hotel luxuoso da zona sul, o que o Brasil, tão exótico para elas, teria a mostrar? Afinal hotéis são iguais em todo o mundo.
Encontrei-as no centrão. Uma puta manifestação dos carteiros, polícia apreensiva, mendigos se aproximando, crianças cherando cola, um calor insuportável, gritaria, cheiro de urina no ar. Não deu nem 10 minutos e elas estavam de volta ao ônibus, apavoradas e querendo sumir dali o mais rápido possível. Seria aquele o fim do turismo em São Paulo? Não… elas falaram algo sobre “Big Tower”. A interprete me disse que queriam ir à torre do Banespa.
Na torre foi bem bacana. Muitos metros acima dos topos dos outros edifícios era um lugar mais seguro para elas. Eu tive muito receio de sair do elevador. Minha perna tremia e um arrepio passou pela minha coluna (tudo bem, não era receio, era medo mesmo). Mas respirei fundo e fui até a sacada. Quando cheguei lá e olhei para baixo, relaxei. O negócio é tão alto, mas tão alto, que o medo não passa por lá. A impressão é de que você está voando. Me juntei às polacas e curti a vista da selva de pedras em todas as direções. Bati algumas fotos que podem ser vistas aqui.
Insultado em diversos idiomas
Outro fato marcante dessa minha experiência salonpiana foi o da certeza de que, depois do George Bush, sou o cara xingado em diversos idiomas ao redor do mundo.
Tudo aconteceu com uma mirabolante idéia partindo da premissa de que não entendemos “necas” de vôlei, mas entendemos um pouco sobre apreciar a beleza feminina. Então decidimos fazer no site, uma enquête sobre a jogadora mais bonita do campeonato, a musa Salonpas Cup, escolhemos as duas jogadoras mais bonitas de cada equipe e abrimos para a votação do público.
Nos resultados parciais, quem estava vencendo era a jogadora espanhola Sylvana Oliviera – e concordo que era a mais bela, inclusive votei nela.
O caso é que, nos dois últimos dias do torneio, a segunda mais bonita (a brasileira Juliana César do Minas Tênis Clube) saiu lá do fundo no número de votos, alcançou a espanhola e, em poucas horas, a deixou para trás, assumindo a primeira posição entre os votos para a musa.
Pronto. A partir deste momento, minha caixa de entrada, que recebia os e-mails do “Fale Conosco” do site, começou a lotar com… digamos assim, raivosas mensagens de fãs da jogadora espanhola. Veja alguns deles:
“Siete attuatori con le domande quelle formulais nel vostro fotoricettore.
Silvana Oliveira vinto da ingombrante differente da Julia César e mysteriously ila brasiliana ha sollevato 130 voti in più meno di 1 ora.
Queste notizie delle prese stanno andando a permesso pubblicato in uno le forum più importanti di volleyball in Italia ed in altra una Spagna”
“Good Morning from Spain! I try to vote Silvana Oliveira and I see it’s not fair because Juliana Cesar grew up a lot. Please, don’t deceive people!”
“manhã boa você não deve encontrar-se com seu teste. Não é justo.”
“You are a lier! Silvana Oliveira should win! We vote for her a lot and votes don’t grew up!!!”
“Você é os falsos. Você iludiu os visitantes espanhóis de seu Web page. O exame que você formulou foi ganhado por Silvana Oliveira, mas você deixou determinados povos de Brasil votados os tempos que quiseram e Juliana César surpassed Silvana.
Você não é ashamed”
Da pra perceber que alguns deles usaram alguma espécie de tradutor eletrônico, outors preferiram escrever em inglês mesmo. Mas o fato, neste grande mal entendido, é que, creia ou não, fui vítima do “jeitinho brasileiro”.
Explico: A equipe mineira estava acompanhando a enquête musa no site e viu que a Juliana, amiga delas, apesar de estar longe da primeira colocada, estava bem posicionada em segundo lugar e resolveram “dar uma forcinha” telefonando para todos seus conhecidos em Minas Gerais numa campanha alucinada em favor da Juliana. Isso moveu o resultado e motivou toda a Europa a me acusar de manipular o resultado, fraude.
Passei uma madrugada respondendo e-mails e expliquei para a jogadora espanhola o que havia acontecido, uma questão cultural tipicamente brasileira.
Padre, eu pequei
Outro caso bizarro aconteceu em santo templo religioso.
Todos os anos, no Salonpas Cup, reunimos jogadoras de bom coração das equipes que participam para uma ação social. Neste ano fomos conhecer o Santuário São Judas Tadeu, ordem que ajudas crianças carentes e órfãos.
É sempre muito emocionante fazer este tipo de trabalho. As crianças são carentes, principalmente de atenção, e qualquer palavras que direcionamos à elas se torna algo valioso. Conhecemos as enórmes instalações do templo, com salas antigas, imagens sagradas e corredores longos e confusos, como labirintos.
Chegando ao patio, conhecemos as crianças, conversamos e interagimos. Em dado momento eu tive que voltar ao nosso ônibus e pegar um pacote com 110 bolas de vôlei que demos de presente.
O problema é que me perdi nos corredores do templo e comecei a me desesperar. Porta após porta, eu me perdia ainda mais. Ninguém aparecia para me ajudar e eu continuava de um lado para outro procurando o caminho certo até que o pior aconteceu.
Ofegante e suado, abri de sopetão uma pesada e barulhenta porta de madeira que eu esperava me levar à saída. Mas me vi na nave do salão principal da igreja, no meio de um evento religioso com todas as pessoas presente olhando pra mim. No susto, voltei para trás fechando a porta e fazendo um barulho ainda maior. Para evitar o constrangimento de me desculpar com o padre, fugi correndo por outro corredor e achei outra porta, “só pode ser aqui”.
Mas me enfiei numa roubada que garantiu meu passaporte direto para o inferno. Um padre (ou algo assim) me olhava assustadíssimo. Estava em compania de uma mulher e ela parecia mais assustada do que ele. “Agora fudeu”, pensei comigo mesmo, “o padre está curtindo um pecado capital e eu invadi o local do crime”.
Pedi mil perdões sentindo a culpa católica rasgar minha alma e voltei para trás, fechando a porta quando ouvi uma vóz atrás de mim “aí é o confessionário”.
Puts, menos mal. Não contei meus pensamentos poluídos para a moça, mas pedi socorro, Estava perdido alí e só queria pegar umas bolas para as crianças. Ela riu da minha situação, da minha respiração afobada, do meu rosto vermelho e do meu constrangimento. Ela foi legal, “aqui é enorme, a gente se perde mesmo”.
Aquela senhora foi um anjo que me levou par a saída. Peguei um pouco de água benta para me purificar e levei as bolas para as crianças. Espero que tenha as feito feliz.
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É meu jovem, depois de dias cansativos e estressantes no Salonpas Cup, momentos inesquecíveis, além das suas presepadas, só mesmo aquelas cervejinhas que tomávamos com a galera para relaxar! Mas valeu! Você realizou um ótimo trabalho! E não se preocupe, quando tivemos problemas com a seção “Você foi clicado”, eu também ouvi muitas peripécias, do tipo: “Cadê a minha foto no site? Passei muita vergonha, falei pra todo mundo e não tinha nada lá”. enfim, um dia será perfeito! Um abraço!
Realmente emocionante as aventuras do Bravus no Salonpas Cup…. show de bola e como eu sempre digo a experiência e conhecimento que adquirimos são nossas eternas heranças e estas, pode apostar, ninguém nos tira.