Slow Food :: Seu paladar e o planeta agradecem

22/07/2007 · Imprima este artigo

Confesso que inicialmente estranhei a filosofia do grupo Slow Food. Eles seguem um conceito chamado ecogastronomia. Bom, limpo e justo: é como o movimento acredita que deve ser o alimento. O que comemos deve ter bom sabor; deve ser cultivado de maneira limpa, sem prejudicar nossa saúde, o meio ambiente ou os animais; e os produtores devem receber o que é justo pelo seu trabalho.

Isso os diferencia de ramos mais extremistas como os vegans, que não comem nada de origem animal, mas sua filosofia lembra os freegans. Esses nomes aparentemente estranhos são grupos que se preocupam com o que consomem, seja alimento, vestuário ou qualquer produto industrializado, inclusive analisando se cosméticos, por exemplo, foram testados em animais.

Os associados ao Slow food gostam de comer. E comer bem. o prazer de saborear boa comida e bebida de qualidade deve ser combinado com o esforço para salvar os inúmeros grãos, vegetais, frutas, raças de animais e produtos alimentícios que correm perigo de desaparecer devido ao predomínio das refeições rápidas e do agronegócio industrial.

Nunca havia pensado no patrimônio gastronômico do mundo. Parece uma daquelas coisas que não sabemos não saber. Mas eles pensaram nisso e criaram a Arca do Gosto, um catálogo mundial que identifica, localiza, descreve e divulga sabores quase esquecidos de produtos ameaçados de extinção, mas ainda vivos, com potenciais produtivos e comerciais reais. O objetivo é documentar produtos gastronômicos especiais, que estão em risco de desaparecer.

Depois de catalogados os produtos são promovidos por um processo chamado Fortalezas. São ações concentradas em uma área geográfica específica visando manter a produção do alimento em extinção. Só na Itália são 200 fortalezas. E há mais 75 espalhadas pelo mundo mantendo viva a produção de produtos como o Arroz Bario da Malásia, a baunilha Mananara de Madagascar, o café da Guatemala e o Queijo Oscypek polonês. Essa ajuda garante produção de qualidade e preços rentáveis aos produtores.

Esse grupo acaba com a impressão de que alimentação saudável e responsável não é saborosa. Suas ações ajudam a economia, as pessoas e, o mais importante, o planeta mostrando que ainda há a chance de um futuro promissor para as próximas gerações.

Acesse o site oficial do Slow Food Brasil

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