Sonho irracional
13/02/2008 · Imprima este artigo
Sugiro que você acione o player do podcast desse post antes de começar de ler, leia ouvindo o som.
O início da noite de São Paulo é marcado pelas cinzas da exaustão em cada rosto do metrô. Lá fora as luzes dançam em um frenesi psicodélico ignorado pela multidão fatigada que retorna para casa depois de um dia de trabalho.

Começo a ver as faces. Rostos marcados por desilusões, stress, paixões, medos, preocupações. Muitos deles levam fones pendurados nos ouvidos. Alguns tocam mp3, outros – como eu – são levados pela sintonia do rádio que toca o ritmo acelerado da cidade grande.
Subitamente um som me seqüestra e leva para um outro mundo, não estou mais no metrô. Sou abduzido por uma levada de bateria jazzy, um órgão de churrascaria embutido em uma atmosfera densa e grave, quem manda aqui é baixo… a voz apenas sussurra “de repente a dor de esperar terminou e o amor veio enfim, eu que sempre sonhei…”
Começo a bater com o pé o tempo da bateria, a pessoa diretamente sentada a minha frente reconhece o ritmo, ela está com um fone, possivelmente na mesma radio, e começa a bater com a mão no ferro de apoio o ritmo da caixa.
Esse é o poder de Tim Maia, “Você” dominou o vagão, a música ganhou peso, a gora a bateria bate furiosa em um prato de ataque enquanto guitarra sola livre, o baixo “swinga” pesado, a música tirou todo mundo que estava sintonizado de seu “mundo particular”.
Os olhos estão fechados mas eu sei que as luzes lá fora continuam dançando psicodélicamente, agora elas fazem sentido – é por isso que estão acesas, esperam sua trilha, a cidade está sempre pronta para sua trilha. Quem está no vagão sabe, quem está na radio sabe, é o nosso código, nosso segredo, agora temos algo que nos une.
Novamente, de maneira brusca, a música chega ao fim, deixando-nos órfãos. Nosso coração escurece novamente e cada um cai em seu mundo. Tim se foi.
Tim era racional se quisesse. Tim era funky, samba, rock, romântico… Tim era a personificação do “foda-se”.
Tim não gostava do sistema, não gostava da ordem dos músicos. Queria montar sua própria organização, sua própria e legítima união: os Cantores Unidos (CU).
Tim é a trilha. Se você ainda não clicou no PodCast abaixo, o que está esperando? Viaje sem medo!











Roberto Carlos de cú é rola, Tim Maia sim é o rei.