Subversivo 2000
9/04/2008 · Imprima este artigo
Há algumas décadas, ser subversivo era uma tarefa bem definida, sabíamos que o inimigo eram os padrões pré estabelecidos de sociedade, de vida, de trabalho, de política, de tudo. Sabíamos também quais eram os riscos enfrentados por aqueles que tinham coragem de lutar contra o grande paradigma mas, é hoje? O que é ser subversivo em um mundo onde o padrão é um ser extinto, cada pessoa adota uma maneira de viver e o inimigo é invisível?
Invisível, mas não indecifrável. Realmente a liberdade de expressão está cada dia mais presente na mídia massiva, na maneira de se vestir, nas formas de comunicação e em tudo. Mas, considerando o ditado que nos ensina que tudo é veneno, tudo depende da quantidade, sentimos na pele a sensação dessa falsa liberdade equivocada e erradica que domina nossos sentidos o tempo todo, seja na popularesca dança do creu que domina o corpo de nossas mulheres e crianças, no sensacionalista noticiário televisivo que lucra com a desgraça ou nas dopantes novelas noturnas, que hipnotizam nossas famílias.
De que diabos estou falando?
Definitivamente não prego um retorno da censura, ditadura ou qualquer tipo de controle sobre a liberdade de escolha das pessoas, mas defendo com unhas e dentes o pensamento de que a liberdade sem um senso crítico é a gênese de uma das maiores doenças dos últimos vinte anos: o senso comum alienado.
Alienado eram os tempos da ditadura? Sim caro amigo, os anos de chumbo eram tão pesados quanto sua denominação quando o assunto é informação e liberdade de informação. Mas cuidado, os dias de hoje podem ser (muito) piores se pensarmos naquilo que absorvemos para alimentar a mente, a alienação tende a ser bem pior pelo excesso de lixo do que pela falta de dados.
Vivemos na Idade da Informação. A cada instantes estamos sendo bombardeados por informações de marcas, valores, vantagens, ordens, notícias e todo o tipo de serviço informativo com ou sem valor. Um tempo em que a quantidade e velocidade são perigosamente valorizados. Um tempo onde a forma pesa mais que o conteúdo. Um tempo onde a produção ignóbil avança como uma onda que não se pode parar, a liberdade sem bom senso gera o grotesco, o baixo nível, o inqualificável.
Fale-me sobre diversão ou cultura de massa. Nada que agregue algum valor à pessoa está nos grandes veículos de comunicação. Nos tempos em que a subversão era um rótulo definido, o mundo ganhou ídolos subversivos como Chico Buarque; nos dias de hoje, os heróis da revolução são o MC Creu e o cara mais radical do Big Brother.
Ser subversivo seria agir como uma ameba lutando por um regime político desatualizado e falido? É usar calças rasgadas compradas no shopping center e sustentar um moicano matematicamente calculado e produzido com produtos, tintas e cosméticos de última geração? Ser subversivo é atacar aqueles que não compartilham de um mesmo ponto de vista do mundo?
Se você concordou com o parágrafo anterior, sinto muito meu amigo, você já é um saudosista pré-histórico. A subversão atual é algo que ainda não sei definir, mas sei que está intimamente ligado às ações e momento. Saber criar um filtro para a alienação do excesso de informação (Desligar a TV), dizer não para a caixa do supermercado quando ela empurrar uma sacolinha no supermercado, não votar mais no político que contribui com a corrupção e sabotam projetos que trariam benefícios para as pessoas, respeitar os idosos no banco preferencial ou criar um blog que sirva de filtro de informações para as pessoas e estimulem o seu senso crítico, talvez pareça pouco, mas para o não-padrão de hoje, considero esses atos subversivos, no melhor sentido da palavra.










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