The Doors :: O outro lado

8/03/2007 · Imprima este artigo

The Doors é uma das bandas mais complexas e interessantes de toda a história do rock. Missão difícil fazer um post original.

Pouco se sabe sobre a vida do poeta e vocalista Jim Morrison antes de sua carreira com a banda. Ele costumava dizer que havia sido possuído pelo espírito de um Xamã quando pequeno. Também costumava dizer que seus pais estavam mortos, uma clara mentira. Uma vez um roddie atendeu um telefonema da mãe dele e o chamou, depois que Jim desligou o telefone, virou-se para o roddie e disse que nunca mais queria falar com ela novamente. Outro fato é que Jim estudou cinema na UCLA e foi colega de classe de Francis Ford Coppola (que mais tarde incluiria a música “The End” em seu filme Apocalypse Now).

The Doors foi uma banda atípica. Canibais em uma época de vegetarianos. A originalidade e contraste com bandas contemporâneas como os Beatles, fez com que os americanos elegessem a banda uma resposta à recente invasão Britânica no Rock. Na Guerra do Vietnã, era a banda predileta dos soldados americanos. O segredo de sua originalidade: John Deansmore era um baterista de Jazz, Robbie Krieger era um guitarrista estudante de flamenco e ritmos brasileiros (referência para Break on Through) e Ray Manzarek era um organista de blues ligado em rock. Jim Morrison era um jovem com aspirações a poeta, mas encontrou no rock um canal de expressão.

Até hoje, a morte mal explicada de Jim Morrison é alvo de diversas teorias conspiratórias.

A banda gravou alguns álbuns antológicos: The Doors, de 1967, foi gravado em duas semanas. É um bom disco e apresenta clássicos como Light my Fire, Breack on Through, Cristal Ship, Alabama Song (Wiskie Bar) e a épica The End.

Em seguida veio Strange Days, também de 1967. Neste disco eles tiveram mais tempo e um maior cuidado com a produção. É um álbum mais lapidado e apresenta um progresso técnico da banda. Nele estão pérolas como People are Strange, Love me Two Times, Moonlight Drive e When the Music is Over.

Em 1968 a gravadora Elektra estava pressionando a banda para lançar um novo álbum. Jim Morrison gostaria de lançar uma epopéia poética/musical chamada Celebration of the Lizard, mas com a pressão da gravadora eles resolveram lançar um disco com músicas que não entraram nos dois álbuns anteriores. Assim nasceu Waiting for the Sun, um disco irregular, mas ainda assim muito bom, contando com pérolas como a belíssima Spanish Caravan, My Wild Love, Five to One (com Jim Morrison totalmente bêbado nos vocais) Unknow Soldier e Hello, I Love You. Celebration of the Lizard ficou apenas no encarte do disco e a epopéia foi lançada na íntegra ao vivo em Absolutaly Live, aos mais tarde.

Com A Soft Parade, a banda conseguiu o que considerou seu maior erro. É um disco com arranjos orquestrados e muitas “firulas”. Ainda assim existem bons momentos como na violenta Wild Child e na jazzística Shaman Blues. Esse é o período onde Jim Morrison começa a engordar e deixar a barba crescer, num atentado anti sex simbol.

O bom e velho The Doors volta à velha forma com o impecável Morrison Hotel, de 1970. O Álbum abre com a porrada Roadhouse Blues, seguida pela transcendental Waiting for the Sun. O disco segue em cima de um conceito blues/rock, com um tempero latino em Frog Peace. Reza a lenda que estavam viajando pelo deserto quando se depararam com o nome e a capa do disco. Era um Hotel de beira de estrada chamado Morrison Hotel, eles entraram lá dentro e tiraram a foto, ignorando os berros do dono, que ameaçava chamar a polícia. No encarte do disco, encontra-se a banda comento um chilli e tomando uma cerveja no lendário Hard Rock Café, uma ligação com Roadhouse Blues, que é considerada o primeiro Hard Rock da história, o bar deu nome ao estilo. Outras músicas presentes são The Spy, Queen of The Highway e Ship of Fools.

Em 1971, com a banda desgastada por problemas com a justiça e Jim Morrison cansado com a fama e consumido pelo álcool, a banda lança seu canto do cisne: L. A. Woman é um disco basicamente de Blues - simples e cru. No meio das gravações, a banda briga com seu produtor no estúdio e leva o equipamento de gravação para um hotel, onde Jim Morrison canta em um banheiro por causa do eco. Depois de sua gravação, Jim foi para Paris para nunca mais voltar. O album traz ótimas composições como a faixa-título, Been Down So Long, The Car His By My Window e a clássica Riders on the Storm.

Depois da morte de Jim Morrison, a banda gravou dois discos: Other Voices (1971) e Full Circle (1972). Um álbum de poesias com fundo musical do Doors foi lançado em 1978 - An American Prayer - e em 1991, Oliver Stone lançou um filme sobre a banda.

Recentemente a banda retornou como The Doors of the 21 Century, com Ian Astbury (da banda The Cult) nos vocais. Em 2004 eles estiveram no Brasil e tive a oportunidade (e prazer) de conversar com Ray Manzarek e Robbie Kriegger, organista e guitarrista da banda, respectivamente. Eles estavam encantados com o Brasil e disseram que Jim Morrison tinha planos de vir para cá. Ray também comentou seu descontentamento com o filme de Oliver Stone e disse que tinha um projeto para fazer outro filme, mais fiel à realidade.

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Comentários

6 Comentários para “The Doors :: O outro lado”

  1. Denis on Março 8th, 2007 22:38

    A minha cara de “criança feliz” nessa foto está demais. hahah, eu lembro de pensar “Meu Deus! essas mãos compuseram ligth my fire, the end e la woman e agora estão tocando meu ombro” hahahaha. Foi um dia de bobo. Mas um sonho realizado.

  2. Rodrigo on Março 9th, 2007 11:56

    Quando as portas da percepção forem abertas, o homem verá as coisas como realmente são: infinitas!

  3. TIM on Novembro 18th, 2007 09:56

    porra!!!!!!!!!!!!!!Valeu JIM!!!

  4. leandro on Dezembro 13th, 2007 14:32

    pó esse pessoal q falou com o ray ,queria estar no lugar.
    mas vai se chegada a hora

  5. filipe on Fevereiro 8th, 2008 15:30

    bah, q legal cara…qta honra! Tomara que o manzarek faça o filme que ele comentou…. seria muito bom ver os doors realmente como eles eram!

  6. Sheila on Outubro 14th, 2008 14:03

    Denis, já ouviu falar em inveja branca? Posso explicar exatamente o significado :o)

Tem algo a dizer?