Torcida organizada

20/03/2008 · Imprima este artigo

Bom, todos sabem que as próximas Olimpíadas serão na China. A primeira Olimpíada no país da cidade proibida, do pessoal de olhos mais puxados que os japas, dos grandes palácios banhados a ouro, da grande muralha, das crianças abandonadas ou escravas, bom deixa para lá. O país do desenvolvimento, a nova ilha dos investimentos maravilhosos.

Mas o que muita gente não sabe é que, antes mesmo das Olimpíadas começarem, a China já enfrenta um grave problema com as torcidas organizadas. Quem diria, para um país que não tem um esporte fervoroso como paixão nacional isso é surpreendente. Porque, na China, ninguém fala, você viu a final do Futebol Americano chinês ontem, foi pancadaria. O máximo de emoção que o esporte na China proporciona é o vôlei feminino, onde as gatas locais usam “shorts” quase no joelho, pura sensualidade.

O governo, preocupado com a situação, decidiu tomar providências. Afinal, as Olimpíadas estão chegando e o centro de atração de investimentos mundiais não pode fazer feio. Já imaginou o mau exemplo para o mundo e para as futuras gerações dentro do próprio país, jamais. E dentro das possibilidades resolveu da melhor maneira possível. Colocou a população dentro dos novos e modernos estádios, substituindo os campos de terra usados para execuções, por uma grama verde e bem cortada. Agora as cadeiras são confortáveis para o espetáculo do esporte e não do muro de execuções. A china decidiu substituir os gritos de comemoração por tiro dado e colocar o grito de comemoração por gol ou ponto marcado. E para isso precisava de uma torcida a altura.

Quando cada chinês chega ao estádio recebe dois bastões de ar, aqueles que os japas usam e que fazem um barulho dos infernos. Todos sentam educadamente e esperam pelo treinamento começar. Uma equipe entra em campo, são os coreógrafos. Isso mesmo, quem estava esperando um time educacional de boas maneiras se deu mal. O grande problema com as torcidas da China é o fato de elas não sabem como torcer de verdade, não sabem ser eufóricas e fanáticas. E por isso o governo teve que contratar uma equipe que ensinasse gritos de guerra, marchinhas, ritmos e etc. E são desde os mais simples de bater duas vezes os bastões e falar o nome da seleção até gritos elaborados como: passou, passou um avião, que em chinês deve ser difícil pra burro de falar. E o governo decidiu fazer isso porque se antes pessoas morriam no campo por balas, nas Olimpíadas iam morrer de tédio.

Incrível não, enquanto aqui as torcidas organizadas sabem bater, lá sabem torcer. Quem sabe o exemplo deles não se espalha por aqui. Vamos lá corintianos, todos peguem seus pedaços de paus e canos e vamos: bate, bate, grita. Bate, bate, grita.

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