Vira Latas I
7/04/2008 · Imprima este artigo
Depois de assistir à matéria de Vesgo e Silvio sobre a estréia do musical “Os Produtores” dirigido por Miguel Falabella na casa de espetáculos Vivo Rio exibida no programa Pânico na TV deste domingo 6/4/8 o tradicional humor deu lugar à um sentimento de enorme indignação em mim.
A falácia de que a “Lei é igual para todos” me deixa tentado a escrever laudas e laudas sobre esse universo, mas vou tentar fazer isso de uma forma Bravus. Segue abaixo “Vira Latas I”
Revirava o lixo que estava encostado num poste de esquina. Típico saco de lixo preto que abrigava em seu interior vasilhames de produtos de limpeza, uma garrafa de cachaça, uma outra de vinho barato envolto aos papéis higiênicos usados e retalhos de jornais de ontem que se misturavam à restos de arroz e feijão. Quando tinha sorte encontrava também alguns ossos de costela e às vezes o pedaço de uma gordurinha, mas nunca um pedaço de cada no mesmo saco. Caules de vegetais e cascas de frutas também eram comuns, mas não o agradavam, afinal não fazia o gênero geração saúde.
Mesmo tendo um apurado faro e saber da limitada variedade do cardápio, abria todos os sacos. Isso quando não se encontrava com os valentões que se autodenominavam donos do território. E quando o diálogo não era o bastante, ou resolvia o impasse no dente, ou se a desvantagem fosse discrepante em relação ao seu físico franzino utilizava-se da velha e comum tática da qual o provérbio popular que diz: “aquele que foge vive para lutar outra vez” traduz bem. Trocando em miúdos, coloca o rabo entre as pernas e segue o seu caminho dando a volta no quarteirão, alterando assim o seu trajeto.
Ele sabe que não é uma atitude nobre, mas não é tão orgulhoso a ponto de arriscar a não observar Ana Maria à distância em sua corrida matinal e seus longos pêlos ao vento, balançando o rabinho cotoco e lindo, pra lá e pra cá, pra lá e pra cá.
Depois de mais um dia segue seu rumo cheio de esperança e sem destino certo, uivando:
“… de um lado esse carnaval
do outro a fome total
uou, uou, uou, uou, uou, uou…”











Também sinto a indignação que, acredito, muitos brasileiros também sentem. Fazemos parte de um país que tem tudo para ser melhor a cada dia, porém alguns de nós nos impedem de alcançar tal avanço. Segundo o comercial do Governo Federal, os heróis surgem quando já não temos expectativas de que as coisas melhorem. Se é assim, onde estão nossos heróis? Vão demorar a chegar? …E enquanto eles não chegam vamos nos aguentando como podemos: baixos salários, aumento de inflação, devastamentos, roubos (em todos os sentidos) e o pior de tudo : Vivendo, lutando (e sonhando) para ver chegar o dia em que haverá conscientização dos poderosos (aqueles que podem fazer algo por esta nação) de que o povo que mais paga impostos neste mundo não merece viver marginalizado deste jeito.
Kamyla,
Sinto um enorme déjà vu lendo esse seu comentário…
Rodrigo,
É apenas a conclusão a que chego.